quarta-feira, 25 de abril de 2018

INDIOS: BELO SUN ABANDONA PROJETO NO XINGU


Belo Sun vai se pondo no brejo

Maior investidor do empreendimento canadense de exploração de ouro no rio Xingu abandona o projeto e vende todas as ações

Figura do blog

No dia 20 de abril, a Agnico Eagle Miners, maior investidora da mineradora canadense Belos Sun Mining Corp, anunciou a venda da sua fatia de 19,4% de ações da empresa.

Belo Sun quer construir a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil na Volta Grande do Xingu, o coração da Amazônia já atingido letalmente pela hidrelétrica de Belo Monte.

Operando desde 1953, a Agnico é considerada uma das empresas mais sólidas do setor de mineração de ouro no Canadá. Em 2016, investiu 15 milhões de dólares canadenses em Belo Sun, que no mesmo ano recebeu sua primeira licença ambiental.

No final de 2017, em resposta ao volume crescente de denúncias de violações de direitos das populações ameaçadas – indígenas, ribeirinh@s, pescador@s, agricultor@s – e de ações jurídicas da defensoria e do ministério público, a Justiça Federal cancelou a licença de instalação do projeto e exigiu que a empresa fizesse uma consulta prévia às comunidades Juruna e Arara que serão afetados pela mina.

Uma semana antes de sua assembleia de acionistas, a Agnico também cancela sua participação em Belo Sun.

A mina de Belo Sun na Volta Grande do Xingu é questionada pelo Ministério Público Federal, Conselho Nacional de Direitos Humanos, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fundação Nacional do Índio, Defensoria pública da União, Defensoria Pública do Estado do Pará, acadêmicos e pesquisadores da Universidade Federal do Pará, movimentos sociais da Volta Grande, e mais de 750 mil signatários de todo mundo que subscreveram a petição da AVAAZ contra a mineradora e seus investidores.

Belo Sun foi acusada de aquisição irregular de terras e promoção de conflitos fundiários. Foi acusada de violar os direitos indígenas e moradores na região do Projeto de Assentamento (PA) Ressaca. Teve cobertura negativa da imprensa de todo o mundo. Está envolta em insegurança jurídica, em protestos sociais e ambientais, em litígios jurídicos e em maledicências.

“Nós não aceitamos Belo Sun na nossa região. Nem na nossa região nem no Brasil. Que essa empresa canadense deixe o que é nosso!”, afirmou a liderança indígena Bel Juruna durante ato no Rio de Janeiro em 2017.

Agnico Eagle Mines vendeu seus 19.14% de Belo Sun para a própria Belo Sun, que emprestou 10 milhões de dólares a quatro de seus diretores para comprá-las, na tentativa de evitar maior desvalorização.  Que não seja bem-sucedida!

Falta agora:

Sun Valley Gold se desfazer de seus 16.33%
Sun Valley Gold Master Fund se desfazer de seus 10.44%
RBC Global Asset Management se desfazer de seus 6.98%
1832 Asset Management se desfazer de seus 6.46%
e
O Rio Xingu e seu povo se desfazerem de 100% de Belo Sun. Que nos deixe e deixe o que é nosso!

Movimento Xingu Vivo para Sempre, Rio Xingu, abril de 2018 

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