terça-feira, 19 de setembro de 2017

CLIMA: EM TEMPOS DE FURACÕES, TORNADOS E TROMBAS DÁGUA

Como se forma um furacão?
Por Giovana Tiziani
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Como qualquer chuvinha, o furacão se forma a partir da evaporação de água para a atmosfera. Óbvio que o furacão não é uma chuvinha qualquer: é uma megatempestade, com torós que podem durar uma semana e ventos que ultrapassam os 200 km/h. A evaporação de água também ocorre em grandes proporções, numa área de centenas de quilômetros, e em condições especiais: no meio dos oceanos, em regiões de águas muito quentes e ventos calmos. Por isso, os furacões são fenômenos tipicamente tropicais. No Brasil, os cientistas achavam que era impossível ocorrer algum furacão – as águas do Atlântico Sul têm temperatura inferior aos 27 ºC necessários para gerar o fenômeno.
Mas muitos pesquisadores mudaram de opinião quando a tempestade Catarina atingiu o sul do país, em 2004. “Naquela época, a temperatura da água estava acima do normal, permitindo a formação do primeiro furacão brasileiro. E a estrutura do Catarina era idêntica à de um furacão”, diz o meteorologista Augusto José Pereira Filho, da Universidade de São Paulo (USP).
Também vale a pena esclarecer uma dúvida comum: qual a diferença entre furacão, ciclone, tufão e tornado? Furacão, ciclone e tufão são nomes diferentes para o mesmo fenômeno: na Índia e Austrália, as tempestades oceânicas são chamadas de ciclones. No Japão e na Indonésia, tufões. E na América, a denominação mais comum é furacão. Já os tornados são outra coisa. Eles se formam no continente e são muito menores – têm entre 100 e 600 metros de diâmetro – duram alguns minutos e são bem mais destruidores: seus ventos podem ultrapassar 500 km/h.
E o vento levou…
Furacões mais arrasadores têm chuvas pesadas e rajadas de 250 km/h

FORMAÇÃO DO FURACÃO

1. Os furacões nascem no meio dos oceanos, em locais de pouco vento e águas quentes, acima de 27 °C. Nessas áreas, a evaporação é intensa: a água do mar esquenta, vira vapor e forma grandes nuvens. É o começo do fenômeno
2. No local em que a água evapora, a pressão do ar é mais baixa do que nos arredores. Isso faz o ar se deslocar das áreas onde a pressão é maior para o centro do furacão. Esse ar vem cheio de umidade, que evapora e faz crescer o furacão
CRESCIMENTO DO FURACÃO

3. Em um ou dois dias o “bichão” já está gigantesco, com 500 km de diâmetro e mais ou menos 15 km de altura. Por toda a área do furacão, chove e venta muito. As rajadas variam entre 118 km/h e 249 km/h;
4. Por ser um enorme fenômeno atmosférico, o furacão sofre os efeitos da rotação da Terra. Ela faz o ar das áreas de alta pressão como o topo girar em um sentido, enquanto o ar da base  onde a pressão é baixa  gira no sentido contrário.
AUGE DO FURACÃO

5. No meio da tempestade fica o chamado olho do furacão, com 20 km de diâmetro. Nessa área faz muito calor, não há nuvens e não chove. É por essa região que a água segue evaporando, alimentando o furacão.
6. No oceano, os furacões avançam em regiões de água quente. Ao atingir a terra firme que é mais fria e seca que o mar  eles perdem força e se dissipam. Mas provocam inundações, ondas de até 15 metros e ventos fortes.

Como se mede a intensidade de um furacão?
Os meteorologistas utilizam dois critérios: a velocidade dos ventos e os danos causados pelo fenômeno. “Para ser classificado como um furacão, o centro da tempestade deve ter ventos de pelo menos 118 quilômetros por hora. Depois, dependendo da rapidez dos ventos e sua capacidade de destruição, os furacões são divididos em uma escala de cinco categorias, batizada de Saffir-Simpson, uma homenagem aos dois americanos que desenvolveram essa gradação na década de 70”, afirma a meteorologista Rosmeri Porfírio da Rocha, da USP. A partir da categoria 3, os furacões provocam estragos consideráveis. Quando os ventos ultrapassam 178 quilômetros por hora, eles podem arrancar grandes árvores e levantar pequenas construções. Piores que os efeitos das rajadas são as chuvas que acompanham a passagem dos furacões. Nos Estados Unidos, um estudo da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), a agência governamental que cuida de atmosfera e oceanos, revelou que as inundações das áreas costeiras foram responsáveis por 59% das mortes causadas por furacões nas últimas três décadas no país – o vento respondeu por apenas 12% das vítimas. A América do Norte, aliás, voltou a sofrer os efeitos de um furacão com a passagem do Isabel, que obrigou o deslocamento de 250 mil pessoas e matou pelo menos 30 em setembro. Esse número, porém, é fichinha se comparado ao 1 milhão de vítimas na passagem do furacão mais mortal da história, que devastou Bangladesh em 1970. Sorte que nosso país não sofre com esses desastres naturais. “Eles são mais comuns em regiões onde a água do mar é quente e transfere umidade para a atmosfera, alimentando as enormes nuvens de tempestade ao redor dos furacões. No Brasil, como a água do Atlântico Sul tem temperaturas menores, não há
Escala da destruição

Quando os ventos ultrapassam os 178 km/h, árvores são arrancadas e casas voam pelos ares

CATEGORIA 1
Ventos de 118 a 153 km/h
Danos mínimos
Uma tempestade passa a ser considerada um furacão quando a velocidade dos ventos no centro da tormenta é superior a 118 km/h. Nessa primeira categoria, a passagem do fenômeno praticamente não provoca destruição. Prédios e casas permanecem intactos, mas o vento arrasta arbustos e derruba galhos de árvores e placas, além de causar pequenas inundações em áreas litorâneas
CATEGORIA 2
Ventos de 154 a 177 km/h
Danos moderados
Nesse nível, os furacões conseguem destruir parcialmente telhados, portas e janelas. No oceano, a ancoragem de pequenas embarcações pode ser rompida e ondas até 2,40 metros acima do nível normal inundam ruas da orla, obrigando a retirada dos moradores. Depois de perder força ao se deslocar pelo oceano Atlântico, o furacão Isabel foi encaixado nessa categoria ao chegar ao continente
CATEGORIA 3
Ventos de 178 a 209 km/h
Danos Grandes
A partir dessa categoria, o furacão já é considerado um fenômeno de grandes proporções. Ventos superiores a 178 km/h conseguem derrubar árvores e gerar ondas 3 metros acima do normal, danificando casas próximas à linha da costa. Construções menores ou pouco resistentes, como trailers e casas pré-fabricadas, podem ficar completamente destruídas
CATEGORIA 4
Ventos de 210 a 249 km/h
Danos extremos
O poder de destruição de um furacão do tipo 4 é 100 vezes maior que um do tipo 1. Ventos maiores que 210 km/h costumam causar problemas estruturais em grandes construções, derrubando paredes e tetos. Ondas 5 metros acima do normal geram inundações graves e provocam erosão nas praias. Um exemplo é o furacão Andrew, que devastou a costa da Flórida em 1992
CATEGORIA 5
Ventos superiores a 249 km/h
Danos catastróficos
É alta a possibilidade de mortes quando passam os furacões mais violentos. Árvores são arrancadas pela raiz, placas são arremessadas, casas e edifícios inteiros podem cair. Os danos se espalham por até 16 quilômetros nas áreas próximas à costa e a região precisa ser evacuada. Nessa categoria, um dos piores foi o furacão Camille, cujos ventos de 320 km/h atingiram a costa americana no golfo do México e mataram 256 pessoas.

O que é uma tromba-dágua?

Tromba_marina_Estrecho_de_Gibraltar_1
Eis aí uma expressão que costuma provocar uma tremenda bagunça conceitual. Vamos explicar: no sentido popular, tromba-dágua indica uma chuvarada forte e restrita a uma determinada região. “Mas, para os cientistas, essa definição é errada. Na verdade, tromba- dágua é um tornado que se forma sobre uma superfície líquida, captura umidade e vai andando rumo ao continente”, afirma o meteorologista Marcelo Seluchi, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP). A maioria das trombas- dágua surge a partir de nuvens de tempestade em cima do mar, mas o fenômeno também aparece nos caudalosos rios amazônicos e nos Grandes Lagos da América do Norte. “No Brasil, as trombas-dágua não são muito comuns. No mundo, elas aparecem com freqüência no litoral da Flórida, nos Estados Unidos, onde as condições climáticas favorecem a formação de tornados oceânicos durante o ano todo”, diz outro meteorologista, Wando Celso Maugeri Amorim, da Universidade de São Paulo (USP).
Apesar da aparência assustadora, o turbilhão úmido geralmente não causa grande destruição. Em comparação com os tornados formados no continente, cujas rajadas ultrapassam 200 km/h, as trombas-dágua são mais amenas, pois seus sopros chegam no máximo a 80 km/h. Isso acontece porque a formação da espiral de ventos depende do aquecimento da superfície. “Como o mar se aquece muito menos que a terra firme, as correntes de ar quente que ajudam a formar os tornados oceânicos são bem menos intensas”, diz a meteorologista Maria Assunção da Silva Dias, também da USP. O grande problema é quando aparecem várias trombas-dágua na mesma região – ou quando uma área é afetada pela espiral e também pelas chuvas torrenciais da nuvem que a originou. Aí, sim, podem ocorrer enchentes destruidoras.
Espiral viajante Fenômeno nasce no mar e caminha em direção ao litoral

1. Em geral, uma tromba-dágua surge a partir de enormes nuvens de tempestade, que podem ter mais de 12 quilômetros de altura e 10 quilômetros de diâmetro. Para que o fenômeno aconteça, correntes de ar quente devem carregar bastante umidade para camadas mais altas da atmosfera
2. Em estações de clima ameno sobretudo na primavera as correntes de ar quente e úmido que sobem do mar se chocam com o ar frio e seco das camadas elevadas. Dentro da nuvem, o contato entre as correntes faz surgir uma espiral de ventos. Dependendo da força das correntes, a espiral aumenta de tamanho
3. Quando a intensidade das correntes é grande, o turbilhão de ventos se expande e atinge a superfície do mar, soprando gotículas de água para dentro da espiral. Impulsionado pelas rajadas da baixa atmosfera, o tornado oceânico molhado com até 1 quilômetro de altura e 100 metros de diâmetro avança rumo ao continente
4. Os efeitos mais perigosos das trombas-dágua ocorrem quando a espiral se desloca pelo mar. Ventos superiores a 60 km/h podem surpreender pequenas embarcações, virando canoas e barcos a remo. Mas, como o turbilhão avança a pouco mais de 20 km/h, navios com motor conseguem desviar facilmente da rota da tempestade]
5. Quando chega ao continente, a tromba-dágua entra em contato com as construções do litoral, provocando uma chuva rápida e intensa. A tempestade não costuma causar inundações, porque os pingos caem ao longo de toda a trajetória da espiral, e não em uma única área. Os ventos também não são tão fortes: no máximo, podem derrubar galhos de árvores e destelhar casas
6. Depois do atrito com a terra firme e com as construções da orla, a maioria das gotículas de água já caiu no continente. Os ventos também perdem força e a tromba-dágua começa a se dissipar. Todo o processo é bem rápido: a maioria dos tornados oceânicos não costuma durar mais que 20 minutos

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