quarta-feira, 23 de agosto de 2017

SAÚDE: LÚPUS E SEUS MISTÉRIOS

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Lúpus: o que deve saber

O lúpus eritematoso sistémico (LES) é uma doença autoimune em que existe uma produção exagerada de auto-anticorpos contra antigéneos do próprio doente.
É uma doença das mulheres em idade fértil. Não afeta só a pele, mas qualquer órgão, explica Ana Maria Ferreira, especialista em Medicina Interna no Hospital Lusíadas Lisboa e Clínica Lusíadas Parque das Nações.

O lúpus em cinco respostas

1. O que é?
O lúpus eritematoso sistémico (LES) é uma doença autoimune em que existe uma produção exagerada de auto-anticorpos contra antigéneos do próprio doente, o que pode causar lesões em diversos órgãos, tais como o rim, músculo, articulações, a nível cardíaco ou no sistema nervoso central (neurolúpus).
2. Que tipos de lúpus existem?
O lúpus discoide ou cutâneo afeta apenas a pele. Pode surgir sob a forma de uma “rosácea” ou de lesões profundas e atróficas. O lúpus sistémico pode atingir qualquer órgão, mas não necessariamente a pele. Ambos devem ser constantemente vigiados.
3. Quem pode ter lúpus?
Segundo a Sociedade Portuguesa de Reumatologia, afetará 0,07% dos portugueses. Por estar associado a questões hormonais, é uma doença mais prevalente nas mulheres em idade fértil. Surge, habitualmente, a partir dos 30 anos. Mas, mesmo na adolescência ou depois dos 60 anos, há mais casos descritos no sexo feminino do que no masculino.
4. Como prevenir?
Não é possível. O lúpus é uma desregulação do sistema imunitário, cujas causas são desconhecidas. A sua etiologia (o ramo da Medicina que estuda a causa das doenças) é desconhecida, podendo envolver fatores ambientes, hormonais e imunológicos.
5. Que complicações pode ter?
De entre todas as patologias autoimunes, sublinha Ana Maria Ferreira, especialista em Medicina Interna no Hospital Lusíadas Lisboa e Clínica Lusíadas Parque das Nações, é a que tem um percurso inesperado, porque pode agudizar em qualquer altura, mesmo se o doente está estabilizado. O rim é uma das principais e constantes preocupações do clínico que acompanha um paciente com lúpus. Concluiu-se, ainda, que há uma certa prevalência da patologia cardiovascular associada, por ser uma doença inflamatória a nível dos vasos, pelo que se deve também fazer o controlo dos fatores de risco cardiovasculares – hipertensão, dislipidemia (presença elevada ou anormal de .lipídios no sangue) e diabetes.
Quando uma grávida tem lúpus, as queixas articulares podem diminuir. No entanto, no final da gravidez, pode haver um agravamento do quadro, com alterações da função hepática e plaquetas baixas, o que implica internamento para monitorização e eventual cesariana.
Os principais sintomas
Um médico fica alerta para a possibilidade de um paciente poder ter lúpus quando este apresenta queixas de febre ligeira (febrícula), cansaço extremo, intolerância ao sol, rash malar (lesões cutâneas na zona das bochechas e nariz, e que, por norma adquire a forma de uma borboleta), dor nos músculos (mialgias) e nas articulações.
No inverno, pode também haver sinais de Síndrome de Raynaud: com o frio, os dedos ficam brancos e, quando aquecem, arroxeados e vermelhos. Isto ocorre porque o lúpus é uma doença inflamatória ao nível dos vasos.
Ao manifestar-se, o LES pode atingir qualquer órgão. No caso do lúpus discoide, são as tais lesões profundas na face que fazem suspeitar da existência da doença.
O tratamento para cada caso
O tratamento do LES depende das manifestações que o doente apresenta:
·              Manifestações leves (rash malar, artralgias e fadiga) tratam-se com antimaláricos.
Como estes se podem depositar a nível da retina, deve haver um controlo oftalmológico periódico.
·               Atividade moderada da doença (artrite, pleurite, pneumonite, pericardite)
Usam-se corticoides. A dose vai sendo reduzida gradualmente assim que a situação clínica começa a estabilizar. Nessa altura, podem associar-se os imunossupressores, que são apelidados de “poupadores de corticoides”.
·           Manifestações graves da doença (renais ou do sistema nervoso central, trombocitopénia ou anemia hemolítica):
Podem exigir tratamento em hospital de dia.
Se não houver resposta aos fármacos convencionais, poder-se-á optar por terapêutica biológica.

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