segunda-feira, 17 de julho de 2017

ECONOMIA: "NOME SUJO" IMPEDE ACESSO AO CRÉDITO, NO BRASIL

               Consumidor tenta ir às                  compras, mas esbarra em crédito negado


TÁSSIA KASTNER
DE SÃO PAULO
So Paulo, SP. 17.06.2003. 16h. Foto Eduardo Knapp/Folha Imagem. Digital Credito Financeiro: Anuncio de emprestimo de dinheiro na Rua So Bento
Anúncio de empréstimo de dinheiro, na rua São Bento, em São Paulo

Brasileiros começam a esboçar alguma disposição a voltar a comprar, mas ouvem "não" de lojas e instituições financeiras quando pedem para parcelar os gastos.

Levantamento do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) mostra que aumentou o número de pessoas que buscam crédito, mas não conseguem o empréstimo.

Dos consumidores que tentaram comprar a prazo em maio, 64% tiveram o pedido rejeitado. Em janeiro, primeiro mês do levantamento, 42% ouviram respostas negativas.

Para Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, as rejeições refletem uma alta na busca por crédito.

"A pessoa até resolveu que pode trocar a geladeira agora, mas teve o crédito negado", afirma Kawauti.

Essa situação afeta a recuperação da economia, já que um dos motores da retomada é o consumo, represado pela dificuldade de acesso a financiamento da população.

As vendas do comércio em maio, mês tradicionalmente bom para o varejo devido ao Dia das Mães, tiveram queda inesperada de 0,1% sobre abril, segundo o IBGE. O setor de tecidos, vestuário e calçados foram as que mais sofreram, com queda de 7,8%.

Os juros, por sua vez, subiram. O custo médio do crédito pessoal cresceu 3,4 pontos percentuais entre abril e maio, segundo o Banco Central, para 132,6% ao ano. Até a linha para quem busca renegociar dívidas aumentou, dificultando a saída de cadastros de inadimplentes.

NOME SUJO

Nome sujo na praça e dificuldade para comprovar renda são os principais entraves no acesso ao crédito, segundo a sondagem do SPC, que ouviu 800 pessoas no país.

Desde o início da crise econômica, que deixou 14 milhões de desempregados e 60 milhões de consumidores nos cadastros de devedores, instituições financeiras e varejistas se tornaram mais criteriosas, com medo de calotes.

"O crédito só vai destravar quando o risco diminuir. [Bancos e varejo] só vão relaxar quando o consumidor tiver mais dinheiro no bolso", acrescenta Kawauti.

A Serasa aponta que cada pessoa com nome negativado tem, em média, quatro dívidas registradas em birôs de crédito, sobretudo de contas de consumo, como água e luz.

O mercado contrata esses birôs -empresas que armazenam informações dos consumidores- para saber se um cliente tem boas chances de honrar os pagamentos.

Vander Nagata, vice-presidente de informações ao consumidor da Serasa, diz que nome sujo não significa o fim do acesso a crédito.

"Há varejistas com clientes negativados, mas com histórico bom de pagamento. Porém, para quem já está inadimplente, é colocada uma sobretaxa [de juros]", afirma.

SEM CREDORES

Quem está com o nome sujo precisa negociar com seus credores. Para saber para quem está devendo e qual é o valor total, é possível consultar os dados no site dos birôs de crédito e de cartórios de protestos (veja quadro abaixo).

Após renegociar as dívidas e pagar a primeira prestação, a empresa tem até cinco dias úteis para tirar o nome do consumidor da lista suja.

Neste ano, os birôs começaram a informar ao consumidor o seu score de crédito-uma nota que informa o risco de ele não pagar a dívida, antes divulgada apenas aos comerciantes.

O objetivo, dizem, é conscientizar o consumidor do estrago que uma dívida registrada no CPF pode causar na sua vida financeira.

A recusa do crédito hoje é atribuída a um score ruim.

A nota vai de 0 a 1.000, dependendo do histórico de dívidas, idade, renda e contratação de outros produtos, como seguros. Na Serasa, o score médio do brasileiro é de 485 pontos, dentro da faixa de risco médio.

Credores também podem protestar a dívida em cartório, instrumento para futura cobrança judicial de dívida.

Nesse caso, quem paga as despesas é o consumidor, quando pede uma certidão de débitos e para ter o nome excluído do protesto.


A consulta ao cadastro é gratuita.
Nome Sujo infografia

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