quarta-feira, 7 de junho de 2017

AMAZÔNIA: GREENPEACE RECUA NA LUTA CONTRA O DESMATAMENTO

Greenpeace suspende participação do Compromisso da Pecuária

A organização ambiental Greenpeace anunciou hoje que irá suspender sua participação do Compromisso Público da Pecuária. A medida é decorrente dos recentes escândalos de corrupção envolvendo o setor da pecuária e os ataques aos direitos humanos e à proteção das florestas em curso no Congresso Nacional.

 
Cattle grazing in former rainforest land south of Santarem and along the road BR163. Cutting through the Brazilian Amazon from north to south over a vast distance of 1700 km is a federal highway called the BR 163. For the past 20 years the highway has been one of the major drivers of deforestation in the region.

“O Greenpeace entende que tais episódios agravam o caos político que assola o país, fragilizam a democracia e inviabilizam, neste momento, a participação desta organização nos termos do compromisso”, afirma a nota.
Assinado em 2009 pelos três maiores frigoríficos do país – JBS, Marfrig e Minerva, o compromisso previa o controle da cadeia produtiva impedindo a compra de gado de fazendas com desmatamento, trabalho escravo e que ocupassem terras de comunidades tradicionais. O acordo contribuiu para a redução dos índices de desmatamento na Amazônia Legal.
Leia a nota do Greenpeace:
Tendo em vista os escândalos de corrupção envolvendo o setor da pecuária e os recentes ataques aos direitos humanos e à proteção das florestas em curso no Congresso Nacional, o Greenpeace informa que está descontinuando o seu envolvimento na implementação do Compromisso Público da Pecuária na Amazônia, assumido pelos três maiores frigoríficos do país – JBS, Marfrig e Minerva. O Greenpeace entende que tais episódios agravam o caos político que assola o país, fragilizam a democracia e inviabilizam, neste momento, a participação desta organização nos termos do compromisso.
Desde 2009, JBS, Marfrig e Minerva – que representam hoje cerca de 70% de todo gado abatido no bioma Amazônia -, assumiram compromisso público de não negociarem carne e couro com fazendas envolvidas em desmatamento, uso de trabalho escravo ou invasão de terras indígenas e áreas protegidas. As empresas firmaram também um Termo de Referência, no qual se comprometeram, com base nos mesmos critérios, a auditar e publicar anualmente seus resultados nesta empreitada contra o desmatamento.
Desde então, o compromisso mostrou-se eficiente para combater o desmatamento. Além disso, é uma forte sinalização de que os esforços para se reduzir a destruição florestal são possíveis e atendem a uma exigência cada vez maior dos mercados consumidores. Em 2016, após pressão do Greenpeace, as três maiores redes varejistas – Grupo Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart – se comprometeram com o desmatamento zero em suas respectivas cadeias e passaram a fazer parte das discussões para o fortalecimento do Compromisso Público, visando ampliar transparência e isonomia do controle de fornecedores de carne bovina adotado pelas companhias.
Embora a organização continue a acreditar que acordos de mercado podem ser uma ferramenta eficiente de controle social para cadeias produtivas críticas na Amazônia, diante do cenário atual, a efetividade do compromisso está comprometida neste momento. Atualmente, nenhuma empresa produtora de carne ou derivados pode garantir que sua produção não esteja associada com a destruição das florestas ou a corrosão dos direitos.
Contudo, encorajamos fortemente que frigoríficos, supermercados e outras empresas atuantes no setor mantenham e aperfeiçoem os sistemas de monitoramento do desmatamento e demais crimes associados – trabalho escravo, invasão de terras indígenas e violência no campo – em permanente processo de fortalecimento dos seus critérios, incluindo, por exemplo, o controle imediato sobre os fornecedores indiretos.
Diante das circunstâncias atuais, é insuficiente apenas fortalecer critérios ou ferramentas do compromisso de mercado sem que haja, ao mesmo tempo, uma descontaminação do modus operandi do setor para acabar com a corrupção. É preciso criar as condições políticas para que ferramentas de controle social voltem a ter credibilidade.
O Greenpeace continuará a denunciar e expor os responsáveis pelo aumento do desmatamento relacionado com a pecuária na Amazônia e espera que, num futuro próximo, sejam restabelecidas as condições para que possamos retomar as dinâmicas de acompanhamento do compromisso.
Fonte: Amazônia.org


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