segunda-feira, 12 de setembro de 2016

PREVIDÊNCIA PRIVADA: SEU RENDIMENTO ESTÁ GARANTIDO? VEJA AQUI.

Simulador de previdência privada dos bancos: 
você caiu nessa?
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Pensar em previdência privada, significa pensar no futuro. Cada vez mais as pessoas estão buscando alternativas para realizar sonhos a longo prazo e, principalmente, para uma aposentadoria mais confortável.
O problema é que, muita gente, ao investir em uma previdência privada pode acabar tendo surpresas na hora de resgatar ou transformar em renda o dinheiro que acumulou ao longo da vida. Por isso, fizemos uma pesquisa: utilizamos o simulador de previdência privada dos cinco maiores bancos do Brasil. Veja o que descobrimos a seguir.
Simulador de previdência privada: as taxas informadas pelos bancos
É fundamental conhecer as taxas praticadas pelo bancos e entender com profundidade como afeta a rentabilidade de cada plano.
O quadro mostra as principais taxas usadas atualmente pelos bancos em um plano de previdência privada no Brasil:
Banco
Taxa de carregamento
entrada
Taxa de Administração
Rentabilidade/Ano¹
Caixa Econômica Federal
             0%²
        3,0 % a.a  
          8%
             3,5%
        3,0 % a.a
          8%
             5%
        2,8% a.a
          3,0%³
             0%
        2,5% a.a
          8%
Bradesco
             4%
        2,4% a.a
          10,8%
¹ Estimativa de rentabilidade média dos bancos varia entre 4% e 12% ao ano.
² Quando o resgate ou portabilidade do saldo acumulado for após 36 meses.
³ Taxa de juros real anual.
Quando o resgate ou portabilidade do saldo acumulado for após 60 meses.
Entenda o que significam estes números
Taxa de carregamento na entrada – é um percentual cobrado pelo banco cada vez que você faz um depósito. Geralmente os bancos estipulam o percentual da taxa conforme o valor inicial investido no plano de previdência: quanto maior o valor, menor a taxa de carregamento. Também dá para negociar a redução do valor das taxas de carregamento de entrada ao se atingir montantes mais altos.
Taxa de carregamento de saída – cobrada em caso de resgate do plano. Na maioria dos bancos esta taxa é zero, mas é importante questionar o banco sobre essa informação.
Taxa de administração – costuma ser cobrada para cobrir as despesas de administração e corretagem do fundo.
Rentabilidade – é o percentual que, em média, rende o fundo.
Mãos à obra: simulando uma previdência privada
Percorremos os principais bancos do Brasil para investigar e comparar as simulações de previdência privada realizadas em cada um. É claro, que cada situação e momento de vida é muito pessoal.
Nesta pesquisa, usamos o seguinte caso: uma mulher de 23 anos, que quer investir em previdência privada, com um aporte inicial de R$ 5.000 mais contribuições mensais de R$ 500, até os 65 anos, totalizando 42 anos de investimento.  Considerando as taxas apresentadas no quadro acima, os resultados aproximados foram os seguintes:
Banco
Valor total acumulado
Renda mensal inicial (vitalícia)



Caixa Econômica Federal
   R$1.973,222,83
                  R$ 6.590,00
Banco do Brasil
   R$ 1.634,918,00
                  R$ 8.081,18
Itaú Unibanco
   R$ 510.880,77    
                  R$ 1.210,00
Santander 
   R$ 2.030.331,87
                  R$ 6.857,08
Bradesco
   R$ 5.707,320,57
                  R$ 9.660,47

Se empolgou com os números? Cuidado! Eles escondem o modelo de negócio perverso dos bancos.
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A verdade por trás das simulações
Caixa Econômica Federal
O simulador de previdência privada da Caixa mostra 4 opções de rentabilidades estimadas: 6%, 8%, 10% e 12% ao ano.  Não fica claro se são taxas de juros reais ou nominais, além disso como varia muito o percentual de rentabilidade (6% a 12%) e os valores apresentados ficam muito distantes um do outro: de R$ 1,1 milhão a R$ 6,5 milhões.
Das opções apresentadas, a gerente do banco informou que o rendimento do fundo está em 11% nos últimos 12 meses. Só que devemos considerar que, nos últimos 12 meses, a inflação está em 8,74%, ou seja, o rendimento real deste fundo é de apenas 2,08%. Transformando isso em valores reais, o  valor acumulado após 42 anos, os R$ 2 milhões apresentados na simulação estaria em torno de R$ 400 mil atualmente.
Banco do Brasil
O simulador do Banco do Brasil utiliza uma rentabilidade de 8% ao ano, já desconsiderando os efeitos  da inflação, ou seja, seria uma taxa real, o que entendemos como uma estimativa muito otimista para o cenário atual, em que nem investimentos mais agressivos conseguem alcançar em um período tão longo.
Uma conta mais próxima da realidade gira em torno de uma rentabilidade de 4% ao ano, o que em resultados finais acumularia em torno de R$ 600 mil, praticamente um R$ 1 milhão a menos do que a simulação previu.
Itaú Unibanco
O simulador do Itaú foi o banco que trouxe resultados mais condizentes com a realidade, porque faz o cálculo de rentabilidade utilizando uma taxa real de 3% ao ano. Mas mesmo assim, ele simplesmente simula o valor dos aportes sem deixar claro se considera a incidência das taxas de carregamento e administração ou não.
Santander
O simulador do Santander foi o único que deixou claro o tipo de tributação, em que utilizou a tabela regressiva. Porém, previu uma rentabilidade real de 8%, o que é uma taxa superestimada para o contexto brasileiro, assim como no caso do Banco do Brasil. O simulador também não deixou claro a incidência da taxa de carregamento sobre os aportes.
Em comparação com a simulação do Banco do Brasil, mesmo acumulando um montante maior pelo Santander, se a opção de recebimento for renda vitalícia, o plano do Santander geraria uma renda inferior a do Banco do Brasil. Isto ocorre provavelmente porque cada banco segue um cálculo próprio sobre dados como estimativa de vida, nascimentos… Contudo, esses detalhes também não foram apresentados na simulação.
Bradesco
O cálculo do simulador do Bradesco considerou uma taxa de rentabilidade de 10,8% ao ano, o que é uma super estimativa. Além disso, não desconta na simulação os valores das taxas de carregamento e taxa de administração que são bem altas na instituição. Dessa forma, o resultado exorbitante de um total acumulado que gira em torno de R$ 5 milhões é uma grande ilusão.
O banco Bradesco considerou a média da rentabilidade histórica dos últimos 24 meses para o cálculo. Ou seja, utilizou a taxa nominal para a simulação (foi incluída a inflação no período). Por este motivo, o valor acumulado foi muito superior aos demais.
O problema é que esse valor alto acaba impressionando o cliente e facilitando a venda. No entanto, os R$ 5 milhões acumulados ao longo dos 42 anos não comprarão a mesma coisa que R$ 5 milhões compram hoje. Por isso, o ideal na simulação seria ter utilizado uma taxa real, a qual desconsidera os efeitos da inflação e resulta em um montante com valores praticados atualmente.
Concluindo
Conhecer as particularidades dos planos de previdência e, principalmente, as taxas é a melhor forma de não perder dinheiro. Elencamos aqui, mais alguns itens para você ficar atento e evitar surpresas futuramente:
Tipo de taxa: real x nominal
A grande pegadinha da maioria dos bancos nestas simulações é a de não deixar claro qual o tipo de taxa usada na simulação. Ou seja, não dizem se a taxa é real ou nominal. Ao considerar taxas nominais ou até mesmo taxas reais superestimadas os bancos apresentam resultados irreais. Apenas o cálculo do Itaú deixou claro que simula com base em uma taxa real de 3% ao ano.
Neste artigo sobre taxa real e taxa nominal, além de entender o que significa cada uma, você poderá fazer uma simulação que exemplifica a diferença entre o valor que os bancos, em geral, mostram em suas simulações para vender os planos de previdência e o valor que você realmente teria, em termos reais, supondo um resgate de todo o valor acumulado.
Além disso, simulações que consideram a taxa nominal apresentam valores ilusórios, até porque daqui a 40 anos, você não saberá se o investimento em questão será capaz de manter o poder de compra dos seus recursos ou não.
Imposto de Renda
Outra informação que fica nebulosa, na maioria dos planos de previdência, é a tributação do Imposto de Renda que incide sobre o valor acumulado e varia de plano para plano. Caso você não esteja atento a esse número na hora de contratar o plano, pode significar surpresa no futuro também.
·         Declaração de IR no modo completo ou simplificado: quem faz a declaração de IR no modo completo pode deduzir em até 12% da renda tributável os aportes realizados em PGBL– benefício fiscal. Qual o tipo de declaração feita pelo cliente não foi questionada em todas as simulações, apenas no simulador de previdência privada do Itaú e do Banco do Brasil.

·  Tabela regressiva e progressiva: a escolha da tributação pela tabela regressiva ou progressiva faz toda a diferença na alíquota de IR. Para perspectivas de longo prazo a tabela regressiva é melhor. A tabela progressiva dificilmente valerá a pena. Porém, a simulação do Santander foi a única que deixou esse ponto claro.

Além disso as taxas de carregamento e a taxa de administração, são informadas pelos bancos, mas muitas vezes não entram na conta da simulação, o que já é uma pegadinha para o cliente do banco.
Caso você esteja planejando investir em um plano de previdência privada, não tenha medo de questionar o gerente do seu banco nos mínimos detalhes. Como você viu neste artigo, informações nebulosas superestimadas podem passar a falsa sensação de segurança no futuro. E caso você não esteja atento a todas as variáveis, quando chegar a hora de resgatar ou transformar em renda o dinheiro que você acumulou a vida toda, a decepção pode ser grande.
Nas simulações feitas, todos os bancos se protegem afirmando que os números apresentados e suas rentabilidades são meras estimativas e que não representam garantia ou obrigação da instituição financeira com você. Ou seja, caso a rentabilidade seja muito abaixo da apresentada na simulação, o banco está livre de qualquer obrigação com o cliente.

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