sexta-feira, 9 de setembro de 2016

MANIFESTAÇÕES: E AÍ? TINHA MUITA GENTE LÁ?

Como se faz a contagem de pessoas que participam de uma manifestação? 
Bernardo de AraújoREUTERS/Fernando Donasci
Manifestantes e policiais costumam divergir dos números – às vezes porque chutam mesmo, na cara dura, sem recorrer a métodos. Para buscar precisão, o instituto Datafolha desenvolveu uma técnica. Primeiro, eles dividem por setores o espaço onde está ocorrendo a manifestação. A cada hora, uma equipe de 40 pesquisadores posicionados ao longo do percurso registra a concentração média de pessoas por metro quadrado.

O máximo dos máximos são sete pessoas por metro quadrado, o que ocorre em uma situação de confinamento. Um exemplo é o metrô de São Paulo em horário de pico, diz Alessandro Janoni, diretor de pesquisa do Datafolha. “Eventos com deslocamento, como a Parada Gay ou a Marcha para Jesus, reúnem, durante a caminhada, no máximo, três pessoas por metro quadrado. Mais do que isso impossibilita a movimentação. A média desses eventos vai de aproximadamente 1,8 a 2,2 pessoas por metro quadrado”, detalha.
Ao mesmo tempo, outra equipe realiza uma pesquisa para traçar o perfil dos participantes e verificar a que hora eles chegaram no evento. Esse segundo levantamento vai ser capaz de apontar quantas pessoas entram e saem da mobilização a cada hora.

Com isso, é feito um cálculo complexo, que cruza o horário de realização da entrevista com o horário de chegada do entrevistado no evento. Por meio desse cruzamento, tem-se a taxa de pessoas que entraram no movimento em intervalos regulares de 60 minutos. “Essa taxa é projetada a cada hora sobre o total de pessoas rastreadas por metro quadrado. O número de pessoas que participaram do evento corresponde ao primeiro rastreamento somado aos entrantes de cada hora que durou o evento”, explica Janoni.

Complicado, né? Por isso tem quem chute, apontando muitas vezes onde sua ideologia manda.

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