quarta-feira, 10 de agosto de 2016

INDIOS: LIDERANÇAS ADMITEM NOMEAÇÃO DE GENERAL PARA PRESIDÊNCIA DA FUNAI

Lideranças defendem nomeação de general indígena para presidente da Funai

Lideranças de diversas etnias defendem nomeação do general Franklimberg de Freitas pertence à etnia Mura e é reconhecido pelo combate ao tráfico e crimes ambientais

 Líderes vindos de tribos do Alagoas, Amapé e Pernambuco defenderam nomeação: para eles, é o exército que os salva quando estão morrendo na mata
Líderes vindos de tribos do Alagoas, Amapé e Pernambuco defenderam nomeação: para eles, é o exército que os salva quando estão morrendo na mata
Com o titular ainda indefinido durante a gestão Temer, lideranças indígenas de diferentes estados defendem a indicação do general Franklimberg Ribeiro de Freitas, que é índio, para o cargo de presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), o que seria um fato inédito na história do órgão. Nascido em Manaus, Franklimberg Ribeiro de Freitas pertence à etnia Mura, tem 60 anos, e é reconhecido pela atuação no combate ao tráfico nas fronteiras e crimes ambientais. Para eles, o general é o mais indicado, além da própria origem, por ter uma carreira consolidada, uma patente importante e estar envolvido em causas que beneficiam as comunidades indígenas. No entanto, há divergências sobre a possível indicação.
Em reunião na tarde de terça-feira (2), no Memorial do Índio, um grupo de líderes vindos de tribos do Alagoas, Amapá e Pernambuco, afirmou ser livre de ideologias políticas e partidárias e não se alinhar às ONGs e associações contrárias à nomeação de um general. Suas reivindicações giram em torno da demarcação de terras e revisão da PEC 215, que transfere do Executivo para o Legislativo o poder de demarcação. O movimento defende a atuação das Forças Armadas nas reservas indígenas.
Jocelio Xucuru, da etnia Xucuru Pesqueira, critica a Funai e defende a nomeação do general. “A Funai se encontra omissa e sucateada. O índio na Funai, sem recursos, não vai fazer nada. O orçamento não é compatível com as demandas das comunidades indígenas. Precisamos de transparência na Funai, que o ministro da Justiça olhe com uma visão diferente para esses movimentos que estão sendo contra. Esses que estão aqui em Brasília não nos representam, quem nos representa é cacique, pajé e a comunidade”, afirma.
Em julho, quando o nome de um outro general, Roberto Peternelli, foi cogitado, uma onda de protestos explodiu em vários estados porque o general era um entusiasta do regime militar e celebrou o aniversário da “revolução que impediu a implantação do comunismo no Brasil”. Em Brasília, foi realizado um ato contra a indicação, no Ministério da Justiça. Agora, as lideranças de aldeias mais afastadas condenam os atos e questionam as informações que receberam à época.
Sílvia Nobre, representante da etnia Waiãpi, no Amapá, destaca a atuação do general em causas indígenas. “Todos nós fomos pesquisar o passado dele e vimos sua atuação junto à polícia federal, à própria Funai, para tirar garimpeiros das áreas indígenas, madeireiros e também fazendo caça ao narcotráfico dentro das nossas fronteiras”. Para Sílvia, não existem rixas entre índios e militares. “Quando o índio é picado por cobra, na mata, e ele vai morrer se não for socorrido, não é Sesai ou Funai que tira, são as Forças Armadas. Na hora que estamos morrendo, é um helicóptero da FAB que desce para nos resgatar”.
Álvaro Fernandes Sampaio, da tribo dos Tukanos, Alto do Rio Negro-AM, diretor do Museu do Índio, é militante da causa indígena há 45 anos e rechaça a transferência do poder de demarcação de terras. “Não cabe ao Congresso Nacional ficar demarcando terras indígenas, porque lá é cheio de fazendeiros, madeireiros, é cheio de outros interesses”. A presidência da Funai está vaga desde o dia 3 de junho, quando João Pedro Gonçalves (PT) foi exonerado do cargo. As questões indígenas seguem travadas desde então.
Fonte: Correio Braziliense

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