quinta-feira, 4 de agosto de 2016

AMAZÔNIA: SUSPEITA DE IRREGULARIDADES EM PLANOS DE MANEJO

Estudo vê irregularidades em 40% da madeira do PA e MT

madeiraMais de 40% dos manejos florestais do Pará e Mato Grosso sinalizam ter irregularidades graves. A madeira comercializada pode ter sido roubada de terras indígenas e unidades de conservação ou ter origem em fraudes de documentos oficiais. Esses dados, que aparecem em um estudo inédito sobre o setor a ser lançado hoje, no Rio de Janeiro, convergem com a estimativa que 60% a 70% da madeira produzida no Brasil tem algum grau de ilegalidade. Trata-se de um volume gigante e que, cada vez mais, inibe o comprador estrangeiro.
Somente 10% dos 4.000 planos de manejo analisados desde 2007, nos dois Estados, não tinham sinal de problemas, segundo o relatório “O uso de bigdata para detecção de ilegalidades no setor de madeira tropical”.
Organizado pelo Instituto BVRio, ONG ligada à Bolsa de Valores Ambientais BVRio (que procura estimular fluxos de recursos privados em iniciativas ambientais), o estudo cruzou dados de várias fontes públicas como listas de embargos do Ibama e órgãos estaduais, imagens de satélite de áreas deterioradas de floresta, guias administrativas e até o histórico dos técnicos florestais. Tudo isso formou 20 novas bases de dados.
As informações formaram o “Sistema de Due Diligence e Avaliação de Risco”, lançado no fim de 2015. A plataforma faz mais de 2 bilhões de cruzamentos de dados diariamente e é capaz de realizar até 150 análises individuais para cada lote de madeira. “Queríamos trabalhar com commodities sustentáveis. Escolhemos a madeira. Nossa intenção é desenvolver esta cadeia produtiva”, diz Mauricio de Moura Costa, diretor da iBVRio e presidente da BVRio. “O Brasil, com o potencial descomunal da Amazônia, tem capacidade de ser um gigante no setor de madeira tropical sustentável.”
O sistema acusou como principal fraude nos planos de manejo do Pará e Mato Grosso inflar o número de árvores de determinada área. A madeira é roubada de regiões que não poderiam ser desmatadas, mas o registro parece correto.
A produção de madeira legal e sustentável brasileira, estima-se, poderia aumentar em 10 vezes. “É frustrante para quem opera legalmente. Madeira tropical é material nobre, merece tratamento diferente”, diz. A boa notícia, sustenta, é que é possível reverter a dinâmica. “Existe uma oportunidade enorme de melhorar o mercado e colocar o Brasil em posição de destaque no cenário mundial. É possível, com os dados disponíveis, identificar de maneira eficiente os focos de problemas”, afirma Moura Costa.
Por: Daniela Chiaretti
Fonte: Valor Econômico

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