sexta-feira, 8 de julho de 2016

COMPORTAMENTO: A DIFÍCIL ARTE DE SERMOS NÓS MESMOS

QUASE TUDO NÃO É O QUE PARECE

publicado em recortes por Gisele Bellucci

Se você acredita que a bandeira que levanta é a única certa, é melhor dar uma olhada aqui.
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Ontem à noite, coloquei a mão dentro do meu casaco e senti algo. Usando meu tato, percebi que era meu anel e me senti o próprio Sr. Bilbo Bolseiro. Mas infelizmente o anel que encontrei não tinha poderes mágicos e muito menos me deixava invisível, se bem que seria uma ótima saída para como estou me sentindo. Mas também não tenho certeza de que isso resolveria meu problema, então melhor deixar meu anel ser só meu anel, preccciooosssooo.
Quando estamos no fundo do poço, nos sentindo o mais triste que poderíamos imaginar, nem a invisibilidade resolve. Quando nos sentimos machucados na alma (se é que ela existe) parece que nada será capaz de nos reerguer. E é assim que me sinto hoje. O preço que pagamos por nos expressar é bem alto. Parece que não, parece que é simples, uma coisa corriqueira, mas não é bem assim. Escrever algo que as pessoas gostem e curtam, é extremamente fácil. Basta olhar as redes sociais para descobrir um tema que todos vão curtir e compartilhar. Difícil é escrever sobre aquilo que você sente, sobre aquilo que você realmente quer escrever. Aí complica demais. Aparecem os “haters” e às vezes não queremos lidar com isso. É muito difícil nos dias de hoje sermos nós mesmos. Na maioria das vezes estamos bem escondidos atrás de um perfil fake onde se pode falar o que quiser que nunca será exposto. Assim é fácil. Quero ver olho no olho. Aí a coragem parece simplesmente desaparecer.
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Os direitos humanos, os direitos dos animais, coma carne, não coma carne, aja desse jeito e não daquele, vista essa roupa e não aquela, temos juízes e advogados em todas as demais questões que abrangem o nosso dia-a-dia. Tem dias, para mim a maioria deles, que ficamos de saco cheio de responder, retribuir ou sequer dirigir a palavra. Eu sou livre para pensar o que eu quiser, para sentir o que eu quiser, e se isso está certo ou errado, o problema é exclusivamente meu. Não se preocupe com isso, você não tem o que me ensinar, você não está aqui para me educar ou para me converter, aliás tentar converter alguém é uma violência. Deixe isso pra lá e tenha mais tolerância com as pessoas que pensam diferentes de você. Simples assim. Não precisamos de todos vocês contando sua opinião sobre isso ou aquilo. Acreditam que porque chegaram até certo ponto, tem todas as respostas, e acredite, não é bem assim. O machismo, o feminismo, o fim da cultura do estupro, ok mas vamos com calma. Até onde os “ismos” nos ajudaram a chegar a algum lugar. Até onde as pessoas se comportam politicamente corretas da porta pra fora mas dentro de casa agem como verdadeiros ogros? E não estou falando nem de violência doméstica não. Mas sim de comentários fora de hora que são ditos com a maior naturalidade porque acreditam que aquela é a resposta certa para esse tipo de pergunta. Coisas do tipo: “você está de TPM?” ou “você é bipolar” ou ainda “isso é falta!”, só trazem à tona sentimentos guardados à sete chaves, que aqueles que dizem defender algo ou alguém deixam escapar por entre os lábios.
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Sim, o respeito começa dentro de casa, a escola não tem essa obrigação, então se isso acontece debaixo das suas saias, pode ocorrer de maneira bem piorada nas ruas, com pessoas que não conhecemos e com quem não temos a menor intimidade. Mulheres estão sendo acusadas de serem machistas por escreverem a respeito do que pensam, isso não serve para nada. Não estamos em uma ditadura, posso muito bem dizer, escrever, sentir e me expressar da maneira que eu quiser. Só acreditamos que isso não vai mudar do dia para a noite. Porque não vai mesmo. Quem tem que fazer essa parte são vocês, as jovenzinhas de hoje, vocês tem que lutar pelo que acreditam e não martelarem as cabeças de mulheres que já fizeram o que podiam para não permitir isso. Cobrem de seus namorados, parceiros, amigos coloridos, seus ficantes, cobrem isso deles primeiramente e depois venham nos falar de respeito. Nós somos suas mães, avós e não queremos que vocês sejam estupradas ou que não sejam respeitadas simplesmente pelas roupas que escolheram vestir, mas invistam sua raiva, sua ira em quem merece. Nossas avós não conseguem acompanhar e nem são obrigadas a isso. 
Como eu já disse: o respeito começa dentro de casa. Quando você acredita que todos devem ser tratados igualmente e com respeito. Quando você acredita que está lavando a louça para ajudar a sua mãe e não um ponto fraco feminista. Fora de casa você bravejam como guerreiras mas mal conseguem manter limpos os seus corações. Eu luto por mais amor, mais respeito e mais tolerância. Se eu dou ou não dou o problema continua sendo meu. Quando eu dei, foi para homens que me respeitavam. Nunca, nenhum deles me bateu na cara. Porque eu sempre soube reagir. Se você ainda não sabe, não culpe as mais velhas. Esse é um problema seu. 
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GISELE BELLUCCI
Cada livro conta uma história e cada história contém a magia certa para encantar as nossas vidas.

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