quinta-feira, 30 de junho de 2016

DESMATAMENTO: POLICIA FEDERAL DESARTICULA QUADRILHA EM CASTELO DOS SONHOS-PA

PF desarticula quadrilha especializada em desmatamento e grilagem no PA

Polícia Federal, MPF, Receita e Ibama deflagram ação nesta quinta-feira, 30.

Operação Rios Voadores ocorre no sudoeste do Pará, MT, MS, SP e SC.
Do G1 PA
floresta amazônica desmatamento Pará (Foto: Nelson Feitosa/Ibama)
Floresta amazônica foi desmatada no Pará. (Foto: Nelson Feitosa/Ibama)
Uma operação denominada "Rios Voadores" desarticula na manhã desta quinta-feira (30) uma organização criminosa especializada em desmatamento ilegal e grilagem de terras públicas federais no Estado do Pará. A ação é conjunta com o Ministério Público Federal, Receita Federal e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ocorre no distrito de Castelo dos Sonhos, em Altamira, no sudoeste do Pará, Novo Progresso, na mesma região paraense e ainda em São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Foram expedidos pela Justiça Federal de Altamira: 51 medidas judiciais restritivas de direito, sendo 24 prisões preventivas, 9 conduções coercitivas e 18 mandados de busca e apreensão em empresas e casas pertencentes aos investigados.

De acordo com a Polícia Federal, o objetivo da quadrilha era o desenvolvimento de atividade econômica agropecuária, após arredamento das terras usurpadas. Os principais investigados e beneficiados com a prática criminosa eram protegidos por outros membros da organização que serviam como “testas de ferro”.

Mediante a falsificação de documentos e outras fraudes, estas pessoas de confiança assumiam a propriedade da terra grilada por seus “patrões”, chegando a admitir a prática de crimes ambientais, preservando o nome dos reais autores da conduta, quando flagrados em fiscalizações do Ibama.

Desmatamento

Segundo laudo pericial da Polícia Federal, de apenas um dos delitos ambientais investigados foram desmatados 9 mil hectares, o equivalente a 8.346 campos de futebol, no período de junho de 2013 até novembro de 2015. Os prejuízos ambientais relacionados à exploração seletiva ilegal de madeira, conversão do uso do solo ilegal e custo de restauração ambiental ficaram orçados em, pelo menos, R$ 162 milhões.

De acordo com a Receita Federal, a organização criminosa, por meio de pessoas físicas e jurídicas, movimentou mais de R$ 1 bilhão entre os anos de 2012 e 2015, sendo grande parte de origem ilícita ou incompatível com os rendimentos dos titulares das contas.

Investigação

No decorrer de quase dois anos de investigação, a PF chegou à conclusão que a organização criminosa é composta por uma rede de pessoas, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas.

A quadrilha estruturava-se em quatro núcleos: núcleo operacional, que executava o desmatamento; núcleo referente aos agentes que compram terras desmatadas ilegalmente; núcleo financeiro, que financiava o desmatamento e núcleo familiar, de dissimulação das vantagens econômicas obtidas.

Organizados, eles praticavam o desmatamento ilegal e grilagem de terras públicas federais na Amazônia, para a criação de gado e plantação de soja. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Qual sua opinião sobre isso?