terça-feira, 22 de setembro de 2015

SOCIEDADE: PRECISAMOS DE UM MUNDO MENOS IDIOTA

POR UM MUNDO MENOS IDIOTA

publicado em recortes por Sílvia Marques
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Sim, precisamos de um mundo menos idiota. Precisamos de um mundo com pessoas que pensam e questionam mais. Precisamos de um mundo com pessoas mais autocríticas, mais assertivas, que invistam mais tempo e energia na reconstrução de valores mais solidários, mais perenes. Precisamos de um mundo com menos frases feitas e estereótipos. Precisamos de um mundo que se preocupe menos com o molho e mais com o peru. Precisamos de um mundo com mais bibliotecas, com mais centros culturais, com mais professores irreverentes, com mais estudantes interessantes e interessados, com mais manifestações artísticas, com mais papos filosóficos, com relações mais informais e afetivas. Precisamos de um mundo com menos hierarquias, com menos necessidade de status ,com menos preconceitos e regrinhas bobas, com menos consumismo, menos superficialidade, menos jogos de palavras, menos culto ao corpo e mais culto à mente e à alma. 
Sempre reitero a importância e o poder da bondade nos meus textos. Inteligência sem bondade vira pedantismo inútil. Divulgar o conhecimento e utilizá-lo em favor do maior número possível de pessoas me parece fundamental se queremos realmente tornar o mundo um local um pouco menos hostil e cruel.
Por outro lado, deveríamos parar de confundir e embolar alguns conceitos básicos: bondade não é sinônimo de burrice e autopreservação não é a mesma coisa que egoísmo. Tampouco, burrice se limita a falta de conhecimento e habilidades. Vamos por partes como um bom esquartejador?
Ser bom é estar aberto ao outro, às necessidades do outro. Ser bom é ser capaz de ouvir e dizer uma palavra de consolo a quem sofre. Ser bom é abdicar de um pouco do seu tempo e energia para ajudar as pessoas. Ser bom é tratar as pessoas com respeito e cortesia, sem manipulá-las, sem tirar proveito das mesmas. Ser bom é encarar o outro como um ser humano, não como um objeto. Ser bom é fazer ao outro o que a gente gostaria que fizessem para gente. Ser bonzinho é se deixar pisar, é se deixar explorar, é se deixar subestimar. É permitir que as pessoas abusem da nossa boa vontade.
Ser egoísta é pensar apenas nas nossas necessidades e sentimentos. É ignorar as outras pessoas. É ser incapaz de um favor ou gentileza para ver o outro feliz. Ser alguém que sabe se autopreservar é entender que não devemos morrer de amor por quem nos despreza. É compreender que não devemos mendigar a amizade de pessoas que não fazem questão da nossa presença. É parar de justificar a crueldade daqueles que nos humilham. É deixar de sofrer por pessoas que não valem a pena, que nada acrescentam e só tiram a nossa energia.
Ser burro vai muito além de não dominar determinados conhecimentos e habilidades. Ninguém domina tudo. Ser idiota é se achar melhor do que os outros, é usar o próprio conhecimento para oprimir, é distorcer as palavras do outro para agredir e causar polêmica vazia, é tratar mal alguém pelo simples fato desta pessoa pensar diferente, é usar termos grosseiros conhecendo termos educados para expressar uma opinião, é se achar o dono da verdade, é desconsiderar as conquistas alheias, é negar o que está diante dos olhos de todos, é subestimar a inteligência alheia, é achar que sabe o bastante, é ignorar a importância do conhecimento teórico e da prática reflexiva, é pensar com a cabeça dos outros.
Sim, precisamos de um mundo menos idiota. Precisamos de um mundo com pessoas que pensam e questionam mais. Precisamos de um mundo com pessoas mais autocríticas, mais assertivas, que invistam mais tempo e energia na reconstrução de valores mais solidários, mais perenes. Precisamos de um mundo com menos frases feitas e estereótipos. Precisamos de um mundo que se preocupe menos com o molho e mais com o peru. Precisamos de um mundo com mais bibliotecas, com mais centros culturais, com mais professores irreverentes, com mais estudantes interessantes e interessados, com mais manifestações artísticas, com mais papos filosóficos, com relações mais informais e afetivas. Precisamos de um mundo com menos hierarquias, com menos necessidade de status, com menos preconceitos e regrinhas bobas, com menos consumismo, menos superficialidade, menos jogos de palavras, menos culto ao corpo e mais culto à mente e à alma.
Precisamos de mais poetas e leitores, de mais artistas, de mais gente vocacionada, de mais gente desencanada, que anda com os sapatos velhos e uma roupa confortável. Precisamos de um mundo em que as pessoas possam rir alto, botar os cotovelos na mesa, dizer como se sentem. Precisamos de um mundo onde reine as ideias, o brilho dos olhos, o sorriso sincero, o calor de um abraço, a alegria de uma cerveja compartilhada. Precisamos de um mundo com pessoas que saibam improvisar e se renovar mais. Precisamos de um mundo com máscaras sociais queimadas. Precisamos resgatar a criança que existe em nós.


Paulistana, escritora, idealista, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, amante das artes, da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida!.

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