terça-feira, 23 de junho de 2015

INTERNET: VOCÊ NÃO ESTÁ NA SUA CASA!

 
A idiotice e a ignorância não são um privilégio da Internet, mas o que vemos é um afloramento exagerado de atitudes coletivas e individuais que causam indignação e nos deixam por entender de onde está surgindo esse fenômeno. Parece que as pessoas pensam que adquirem super poderes quando se sentam atrás de um teclado e um mouse. O simples fato de se imaginarem “protegidas” pela rede, podem disparar ofensas, perseguir e promover preconceitos.

Este é um fenômeno recente, muito novo e provocado pela grande facilidade que temos de trocar informações e interagirmos com tanta gente, seja em rede sociais, fóruns ou comentários de notícias. Em poucos cliques temos acesso a milhares de pessoas e temos a possibilidade de sermos vistos e ouvidos em qualquer lugar.
Não há outra palavra para descrever o descontrole de várias pessoas em toda parte, em qualquer língua, do que “idiotas”. O mais conhecido dos casos aconteceu nas eleições presidenciais de 2010, quando alguns se sentindo superiores, “culpavam” a vitória ou derrota na base do preconceito regional (Votos do Nordeste viram polêmica no Twitter).
No mesmo nível do que aconteceu àquela época temos o mais recente dos fatos quando a FolhaOn-line (braço digital da Folha de S. Paulo) se viu obrigada a fechar todos os comentários dos artigos referentes à saúde do ex-presidente Lula. Tudo bem discordar politicamente de alguém, mas chegar a desejar a morte e o mal para alguém que tem câncer, chega a ser no mínimo desumano (Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto).
O pior de tudo foi uma notícia que li sobre uma blogueira no exterior que revelou o excesso de mensagens abusivas e até ameaças de estupro por sua opinião. No caso dela, algumas ofensas se tratam de puro preconceito por ela ser mulher (Women bloggers call for a stop to ‘hateful’ trolling by misogynist men).
Eu poderia ficar aqui relatando outras dezenas de casos semelhantes ou até piores. Alguns desse sujeitos tentam se valer do anonimato na internet (que não existe de fato) ou não entendem que as leis valem da mesma forma no mundo online. Há uma dissociação entre mundo real e mundo virtual, como se fossem coisas diferentes. Dá-se o nome para gente assim de “trolls” e pode ser engraçadinho e divertido por um tempo, mas o que vemos é que já está perdendo a graça, fugindo ao controle.
Você não pode dizer o que quer sem consequências
Eu não consigo responder à pergunta que fiz no início, não sei porque há tantos idiotas na internet ou porque aparecem mais aqui. Está na hora de tomarmos atitudes mais severas contra gente desse tipo, que se sente segura em ofender, difamar e perseguir outras pessoas. Está na hora de começarmos a usar de forma madura as redes sociais ou será intolerável a convivência.
A culpa pode ser da educação. Mesmo os mais ricos podem ter estudado em ótimas escolas e até ter curso superior, mas não aprenderam o que é relevante. As vezes a falta das letras pode ser mais útil quando não falta respeito. E claro, há a educação do berço, que não se reproduz em salas de aula. A fata de berço não escolhe classe social, nem faz diferença nascer em New York, São Paulo ou Caetés no Pernambuco.
Só a liberdade não justifica o direito de ninguém ofender, perseguir ou ser preconceituoso com outros. E essa é outra coisa que não dá pra aprender em sala de aula.

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