terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

SEXO: A AIDS CONTINUA POR AÍ

HIV e Aids: por que é preciso conversar com seu filho?

A epidemia de HIV/aids não é coisa do passado e uma conversa sincera com seus filhos é o melhor caminho para que eles se previnam

Texto Nana Soares
Foto: Aline Casassa
 Foto: Dialogar sobre sexo com os filhos não é fácil, mas os pais devem ser agentes participativos e não deixar esta responsabilidade somente para a escola.
Dialogar sobre sexo com os filhos não é fácil, mas os pais devem ser agentes participativos e não deixar esta responsabilidade somente para a escola.

O Brasil já foi referência no combate à epidemia de HIV Aids, mas, infelizmente, ela começa a dar sinais de aumento, especialmente entre a juventude. Entre 2001 e 2012, o número de novos casos de aids em jovens de 10 a 19 anos aumentou 53,8%. Se estendermos o olhar para os jovens de 20 a 24 anos, a situação se agrava. Eles registraram 3352 novos casos só em 2012, um aumento de mais de 32% em relação a 2001. Os dados do 2° Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado por pesquisadores da Universidade Federal Paulista (Unifesp) e divulgado em março deste ano, mostram que quase um terço dos rapazes e 38% das moças declararam não utilizar camisinha quase nunca ou nunca em suas relações sexuais.

O risco de contrair o vírus existe, não dá para negar! Por isso é essencial conversar com seu filho ou filha sobre a doença, que, embora não tenha cura, pode ser prevenida. "Um equívoco comum é os pais acharem que a responsabilidade de falar sobre aids e educação sexual é da escola. Não. O que funciona é o conjunto da obra. O adolescente quer ouvir a opinião da sua família, dos amigos, da escola e depois ele ainda vai buscar na internet", diz Marta McBriton, coordenadora do Barong, ONG que trabalha com a questão da Educação Sexual e da prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).

Antes de falar com os filhos, os pais devem ter a questão bem resolvida e elaborada internamente. "Os pais precisam se informar, porque muitas vezes o que o afasta da conversa é que questões íntimas do casal não estão bem resolvidas. Adolescentes e crianças não são burros, eles percebem quando os pais não estão cômodos para conversar sobre o assunto", diz Marta. Não dá para falar de DST/aids com os filhos sem falar de sexualidade, e o mais importante é não tratar o assunto como pecado ou tabu, negando a realidade das coisas ou dizendo, por exemplo, que a aids é um castigo divino. "Os pais devem dizer a verdade. Essa epidemia vai fazer parte da vida sexual dos filhos por muito tempo e a aids e outras DSTs fazem parte do repetório de vida do adolescente", lembra. Além disso, ela lembra que discutir sexualidade abrange uma série de questões de comportamento, como as relações de gênero e o uso de drogas. Por isso, a conversa pode ser um grande manancial para a educação dos filhos, já que abre espaço para tantos assuntos.

A coordenadora do Instituto finaliza as dicas para os pais com a reflexão: "É importante o adulto lembrar como foi quando ele era jovem. O que foi difícil? O que gostaria que tivessem feito com ele? E acima de tudo, é importante entender que a sexualidade é uma questão saudável". 

E para ajudar você nesse começo de conversa, o Educar para Crescer responde algumas das perguntas mais comuns sobre o HIV e Aids. As fontes são o Ministério da Saúde e a médica infectologista Rosa de Alencar Souza, Coordenadora Adjunta do Programa Estadual DST/AIDS de São Paulo:

Como a escola deve falar de sexo?

Pesquisadores afirmam que os jovens na fase dos primeiros namoros devem receber orientações sobre sexo sem mitos nem preconceitos



No Brasil, 44,7% dos estudantes têm vida sexual ativa

Falar de sexo com crianças adolescentes é papel dos pais, certo? Sim, mas é importante que esse assunto também seja abordado em outros ambientes de convivência dos jovens, principalmente na escola. Afinal é no ambiente de estudos que aparecem as principais mudanças nas relações afetivas entre as crianças e os jovens: no primeiro ciclo de aprendizagem, o namoro inocente; já no Ensino Médio, namoros que fomentam vontades e descobertas sexuais se tornam mais comuns.
"Hoje o sexo é abordado livremente na televisão e nas revistas. É preciso tratar do assunto também na escola", diz Ademar Francisco da Silva, coordenador da Escola Estadual Ary Corrêa, de Ourinhos, interior de São Paulo. "A escola tem de informar os alunos e tirar suas dúvidas, porque estudante precisa conhecer cientificamente o que acontece com seu corpo", completa. Ainda que o assunto seja tabu para muitas famílias, é preciso assumir o tema precisa ser abordado com os jovens já que o sexo está presente na vida.

Qual deve ser o foco da discussão sobre sexo? A pesquisa "Retrato do Comportamento Sexual do Brasileiro", realizada pelo Ministério da Saúde em 2009 com 8 mil pessoas, mostra que 35,4% dos brasileiros fizeram sexo antes dos 15 anos de idade. É fato: crianças e adolescentes estão descobrindo a sexualidade e os limites do próprio corpo cada vez mais cedo. Por isso o foco deve ser a orientação sexual, mesmo. É preciso passar a informação sem reforçar mitos e preconceitos e possibilitando o diálogo da forma mais aberta possível. E isso deve acontecer tanto na escola quanto em casa.

"Existe uma crença equivocada de que fornecer Educação Sexual é o mesmo que incentivar a inicialização da vida sexual na escola", diz Isabel Botão, técnica do Departamento de DST/ AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Ela acredita que é indispensável a criação de um canal confiável de debate sobre o tema nas escolas, local onde as crianças e os adolescentes passam a maior parte do tempo. "Sexo faz parte do cotidiano do jovem, não adianta negar", diz. 
 


Quando a criança ainda é muito pequena, vale fazer analogias para explicar os apetites sexuais. Uma boa explicação é a de que um cheiro gostoso de comida faz a gente sentir vontade de comer e um vento frio faz a pele se arrepiar. Do mesmo modo, algumas imagens (como um casal que se beija, por exemplo) estimulam os órgãos sexuais.

Já com os mais velhos, pode ser uma conversa aberta sobre a necessidade do uso de métodos de proteção para a hora do sexo (caminhas masculinas e femininas, pílulas anticoncepcionais etc). Deixe claro ao seu filho que a intenção das conversas não é simplesmente ensiná-lo a usar esses métodos preventivos de forma prática, mas sim refletir sobre o seu uso correto, com a devida atenção e responsabilidade.

Nessas horas, livros também podem ser bons aliados. Você pode encontrar obras específicas para tratar do assunto nas livrarias. E a leitura pode ser feita junto com a criança ou adolescente ou ele pode ler sozinho. É sempre importante agir da forma que for mais agradável para o jovem e para o adulto.


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