quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

CULINÁRIA: COMIDAS VICIAM, MAS COMO RESISTIR?

As 10 comidas mais viciantes – e como fugir do vício
DANIEL MARTINS DE BARROS

Comidas podem viciar. E quanto mais processadas, mais viciantes parecem ser. O combate à obesidade teria muito a ganhar ao se inspirar no tratamento para as dependências químicas.

Sim, finalmente a ciência se deu conta de algo que todo mundo já sabia: comida vicia. O padrão que algumas pessoas desenvolvem no consumo de alimentos é muito parecido com aquele que vemos nos dependentes químicos: sabem que estão exagerando; tentam se controlar e não conseguem; irritam-se com as críticas alheias; mesmo tendo prejuízos à saúde não são capazes de reduzir o consumo; o fracasso em se controlar leva à frustração que aumenta o risco de exagero. Poderíamos estar falando tanto de cocaína como de chocolate; de tabaco ou de bolo.

Uma pesquisa publicada essa semana tenta agora explicar quais comidas são mais viciantes, e porquê. Então, sem mais delongas, eis os alimentos que foram classificados como os mais difíceis de resistir:

1 – Pizza
2 – Chocolate
3 – Salgadinhos
4 – Biscoitos
5 – Sorvete
6 – Batata frita
7 – Cheeseburger
8 – Refrigerante não-diet
9 – Bolo
10 – Queijo

Lendo a lista entendo porque tantas vezes tentei desafiar o slogan da Elma Chips, “é impossível comer um só”, mas falhei em todas elas. O que era vendido como um grande mérito, contudo, começa a ser visto como um problema, pois as características dos alimentos associadas a esse poder de minar nossas resistências são muito pouco saudáveis. Todos eles são altamente processados, e ricos em gordura ou carboidratos refinados. Isso faz com que eles tenham um alto índice glicêmico, ou seja, aumentam muito rapidamente a taxa de açúcar no sangue. Embora isso promova uma onda de prazer no cérebro, já que açúcar é sua fonte de energia (e sempre foi escassa em nossa história evolucionária), hoje sabemos que os picos glicêmicos estão associados não apenas à obesidade, mas a um estado inflamatório no organismo que é fator de risco para todas as doenças cardiovasculares, além de depressão e mesmo demência. Mas assim como no caso das drogas, em que as que “batem” mais rapidamente têm maior potencial de abuso, também os alimentos que dão esses picos, justamente os com alto teor de gorduras e carboidratos refinados, parecem ser os grandes vilões do comer compulsivo.

Diante de tudo isso talvez os tratamentos para obesidade, e mesmo as dietas em geral, precisem de uma mudança conceitual. Ninguém em sã consciência recomenda moderação para um cocainômano ou alcoolista – recomenda-se abstinência. O mesmo pode valer para esses alimentos tão viciantes. Além de fugir da tentação, exatamente como se deve fazer com substâncias viciantes (não ter essas comidas por perto; dificultar o acesso a elas), as estratégias de redução de danos também deveriam ser levadas em conta (se vai pedir uma pizza, que seja de atum ou com massa integral; já que vai comer chocolate de qualquer jeito, tenha apenas quantidades pequenas por perto).

Finalmente, vale a pena ter um grande estoque e bananasmaçãscenouras e pepinos sempre à mão. São fáceis de comer na hora da fome, saudáveis e – talvez não espante – os menos viciantes de todos.

Schulte, E., Avena, N., & Gearhardt, A. (2015). Which Foods May Be Addictive? The Roles of Processing, Fat Content, and Glycemic LoadPLOS ONE, 10 (2) DOI: 
10.1371/journal.pone.0117959


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Qual sua opinião sobre isso?