terça-feira, 30 de dezembro de 2014

ALIMENTAÇÃO: COMER OU NÃO COMER, EIS A QUESTÃO!



Como as dietas nos levam à loucura

Coma de tudo. Não coma nada. Um novo livro explica, mais uma vez, que não há dieta que funcione. Por que essa mensagem não é digerida?

 
Un McDonald's moscovita em 1996 /
 © Jean-Paul Guilloteau / Roger-Viollet  (Cordon Press)

Perca peso sem passar fome. Faça regime, mas coma de tudo. Emagreça sem fazer exercício. Para quem nunca teve um grama de excesso de peso, deve ser evidente a suprema bobagem dessas afirmações. Só que pessoas assim, claro, fazem parte de minoria muito reduzida da população ocidental. Os demais, angustiados pelos gramas a mais, tendem a se deixar seduzir mais facilmente pela utopia ali oferecida. Assim, a um descuido, é possível se entregar à alcachofra, aos carboidratos, a tudo menos os carboidratos, à proteína, ao melão, ao kiwi ou às ervilhas. Na opinião de Matt Fitzgerald, corredor e autor de uma vintena de best sellers sobre esporte e alimentação, convertemos a obsessão pela perda de calorias numa nova religião. Ele propõe que nos tornemos agnósticos dos regimes.

“Ninguém precisa aderir ao culto de nenhuma dieta. Uma abordagem "agnóstica" de uma forma saudável de comer que não proíbe nada acaba levando a comer com prazer e anima as pessoas a tomarem suas próprias decisões” - Matt Fitzgerald

“Ninguém precisa aderir ao culto de nenhuma dieta. Uma abordagem agnóstica de uma forma saudável de comer que não proíbe nada acaba levando a comer com prazer e anima as pessoas a tomarem suas próprias decisões”, escreve Fitzgerald em seu mais recente título sobre o tema, Diet Cults. Nesse livro, o autor tenta desmentir algumas crenças sobre a alimentação, como a de que o corpo humano não consegue digerir bem os alimentos cozidos, tal como afirmam os crudívoros, ou os lácteos, segundo defendem os que comem paleo. Em suma, o que Fitzgerald procura demonstrar é que a única maneira comprovada de fazer bem as coisas é a fórmula do exercício e da dieta saudável, que embora antiga não deixa de ser recomendável. "Não há apenas uma forma boa de comer. Está comprovado que é possível escolher uma dieta A ou uma dieta B e, com o compromisso de segui-las, ter o mesmo resultado com ambas", afirmou o autor em entrevista ao site Vox.

“As pessoas não escolhem a dieta por uma razão. As dietas é que escolhem as pessoas, apelando a como cada uma quer se sentir consigo mesma”

Na Espanha, por exemplo, parece que isso é um problemão. Oito em dez pessoas que começam uma dieta não conseguem terminá-la, segundo pesquisa realizada este ano pela Sociedade Espanhola para o Estudo da Obesidade (Seedo) em amostra de 2.944 pessoas. Além disso, uma pessoa de cada quatro declara que não se sente bem com seu peso. "O fracasso na dieta costuma criar uma insatisfação pessoal que pode produzir o chamado efeito sanfona ou levar ao abandono do tratamento", disse Albert Goday, vice-presidente da Seedo, ao apresentar o estudo, em fevereiro. Goday aproveitou a ocasião para recomendar (por esta não esperavam) exercício e uma dieta saudável.

Mas se a solução é tão simples, por que nos lançamos aos regimes mais estapafúrdios? Fitzgerald afirma em seu livro que não escolhemos aderir a um determinado tipo de alimentação porque funciona, e sim porque esse ritual nos faz sentir incluídos, construímos nossa identidade em torno da comida. "As pessoas não escolhem a dieta por uma razão. As dietas é que escolhem as pessoas, apelando a como cada uma quer se sentir consigo mesma."

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