sexta-feira, 2 de maio de 2014

COPA DO MUNDO: TV DE QUALIDADE TEM ESCALAÇÃO GARANTIDA

Como escolher a TV de superdefinição para assistir à Copa

Uma nova geração de TVs com resolução quatro vezes superior à dos aparelhos atuais começa a desembarcar no Brasil. Está na hora de trocar o televisor?

BRUNO FERRARI
 
No mundo da ultradefinição (Foto: montagem sobre fotos Thinkstock)
(Foto: montagem sobre fotos Thinkstock)
As fabricantes de televisores costumam aproveitar eventos esportivos como a Copa do Mundo para criar estratégias de marketing agressivas. Nos anos 1990, a japonesa Mitsubishi ficou famosa com comerciais dizendo que a garantia das TVs era válida até a final da próxima edição do torneio. Mais recentemente, as Casas Bahia decidiram apostar no “sucesso” da Seleção Brasileira. Numa eventual conquista da taça pelo Brasil, o cliente que comprar uma televisão de 60 polegadas antes da Copa levará outra para casa por apenas R$ 1. O esforço, segundo os fabricantes, costuma valer a pena. O aumento nas vendas varia de 15% a 40% nos meses que antecedem o torneio, dependendo da região. Há também uma inversão de sazonalidade. “Em anos sem Copa do Mundo, 60% das vendas de TVs ocorrem no segundo semestre por causa do Natal”, afirma Werner Gropp, gerente de produto na categoria TV da Samsung. “A proporção se inverte a favor do primeiro semestre em ano de Copa.”

Além de renovar as campanhas de marketing, as empresas aproveitam para fazer lançamentos tecnológicos. No ano de 2010, a Copa da África do Sul popularizou o padrão Full HD. Também foi a primeira Copa com alguns jogos em 3D. A revolução das TVs 3D, porém, foi bem mais branda do que se imaginava, e logo a grande aposta tecnológica das fabricantes virou-se às smart TVs, aparelhos que se conectam à internet e oferecem aplicativos similares aos smartphones.

Qual será a grande novidade tecnológica para a Copa do Mundo no Brasil? A resposta unânime das principais fabricantes se chama Ultra HD, ou 4K, uma série de televisores capazes de transmitir imagens numa resolução até quatro vezes superior à da geração atual. Essa evolução se traduz em imagens mais nítidas, com cores mais fiéis às vistas a olho nu. O Ultra HD é apenas o primeiro passo de um salto na qualidade da imagem que veremos ocorrer nos próximos anos. Algumas produtoras de conteúdo, como a japonesa NHK, já começaram a testar a tecnologia 8K, que oferecerá uma resolução 16 vezes superior à atual. A expectativa é que a Olimpíada de 2020, em Tóquio, já será transmitida em 8K. Outra novidade que deverá aparecer até o fim da década será o 3D integral. Em vez de usar óculos que captam um ângulo diferente em cada olho e dão a sensação de que a imagem tem duas dimensões, a tecnologia usará milhares de microlentes para reconstruir uma imagem 3D captada em diversos ângulos. Dependendo da posição em que você assistir a um filme, verá a imagem de uma perspectiva diferente. Será o mais próximo de uma janela para outro mundo, da realidade vir­tual. Um telespectador poderá escolher em que canto do estádio quer assistir ao jogo. Cabines de navios sem janela poderão colocar painéis de LED, que exibirão a “paisagem” do lado de fora com qualidade similar à dos quartos com vista para o mar.

ÉPOCA apresenta uma seleção de aparelhos que fazem parte do início dessa revolução tecnológica das TVs. Com base em entrevistas com analistas de tecnologia, selecionamos as principais características que devem ser levadas em consideração na hora de escolher a sua próxima TV – e os mitos alimentados pelos vendedores.

 O duelo das telonas (Foto: divulgação)
 
O duelo das telonas (Foto: divulgação)

(Fotos: divulgação)

Se eu comprar uma TV Ultra HD, poderei assistir à Copa do mundo numa resolução quatro vezes superior à do meu vizinho?

É um mito. Apesar da expectativa das fabricantes de TVs, a transmissão da Copa no Brasil será feita no formato Full HD. A Sony fará um filme em 4K do torneio e gravará três jogos, mas o material só será divulgado após o término da Copa. Isso não quer dizer, no entanto, que quem topar pagar a mais para comprar uma TV Ultra HD fará um mau negócio. As TVs 4K virão com recurso chamado upscalling, que simula, digitalmente, uma imagem de melhor qualidade. Não é o suficiente para chegar a um padrão quatro vezes superior, mas, segundo as fabricantes, os jogos poderão ser vistos com até o dobro da resolução dos televisores convencionais. Sites de streaming, como Netflix e YouTube, já oferecem conteú­do gravado em Ultra HD.

Há outro gargalo para o consumidor brasileiro. Para conseguir usar um serviço de streaming em 4K, é preciso uma conexão com a internet de, no mínimo, 15 megabits por segundo de velocidade. Além da TV, é preciso assinar uma banda larga que consiga manter esse desempenho, altíssimo para os padrões brasileiros, de forma constante. Outra dica importante: os olhos humanos só conseguem distinguir a qualidade das imagens Full HD e Ultra HD em telas com mais de 50 polegadas. Caso o plano seja comprar uma TV menor, o melhor é economizar comprando um modelo Full HD. “Os preços dos televisores 4K estão entre 15% e 20% acima dos valores cobrados por uma Full HD”, afirma Rogerio Molina, gerente-geral de produtos de TV da coreana LG.

As TVs curvas oferecem uma qualidade de imagem superior à dos televisores de tela plana

É um mito. Algumas fabricantes de TVs, como Samsung e LG, trarão para o Brasil, neste ano, aparelhos com tela côncava. Isso é possível graças a uma tecnologia que permite painéis flexíveis, chamada OLED. Essas TVs são caríssimas e hoje têm como público-alvo os entusiastas. Em termos técnicos, a qualidade da imagem é a mesma dos televisores Full HD ou Ultra HD. O formato curvo pode proporcionar uma sensação mais densa para a imagem, que faz o telespectador se sentir mais próximo à cena transmitida. Mas o maior destaque das TVs curvas é mesmo o design. É mais um item para quem procura ostentação que para quem está atrás de uma qualidade técnica melhor.

Comprar tv 3D não vale mais a pena. A onda já passou...

Nesse caso, depende do perfil do consumidor. A tecnologia 3D foi uma boa solução para as fabricantes de TVs num período de entressafra tecnológica, entre 2011 e 2012. A TV de alta resolução já não era a grande novidade. Os recursos de smart TV, que hoje têm aplicativos e reconhecimento de voz e gestos, ainda eram limitados. Aproveitando a onda de sucesso de filmes em 3D, como Avatar e Toy story 3, as empresas alimentaram o discurso segundo o qual a tecnologia de terceira dimensão causaria um impacto superior à mudança das TVs em preto e branco para as coloridas. Isso se mostrou uma bravata. Os óculos e as imagens em 3D evoluíram nas últimas décadas, mas não o suficiente para superar efeitos colaterais, como o incômodo da visão, forçada a enxergar ângulos diferentes. Para muitos telespectadores, a sensação de assistir à TV em 3D é parecida com forçar os olhos para ficar vesgo e causa dor de cabeça. Dito isso, é um recurso que está se tornando um padrão, mesmo em televisores mais acessíveis. Há quem goste de assistir a animações feitas exclusivamente em 3D e há quem não sinta incômodo em usar os óculos. Se não for pagar muito mais caro por isso, vale a pena levar para casa um aparelho compatível com 3D.

Investir numa TV de plasma é jogar dinheiro no lixo. A tecnologia é antiquada

É verdade, mas com um porém. A tecnologia de plasma surgiu com o LCD nos primeiros modelos de TVs de tela plana. O LCD (tela de cristal líquido) deu lugar ao LED (em que cada ponto é uma fonte de luz colorida). O plasma continuou recebendo atualizações, principalmente da japonesa Panasonic. No início deste ano, ela anunciou que não produzirá mais aparelhos com a tecnologia plasma. Isso diz muito sobre seu futuro. Mas vamos aos poréns. Para TVs de polegadas maiores, o plasma ainda traz um bom custo-benefício. Grupos de cinéfilos afirmam que a tecnologia de plasma tem uma qualidade de imagem melhor que o LED para exibir filmes, desde que a TV fique num ambiente mais escuro, como uma sala sem janela. Se a ideia é encontrar preços mais acessíveis para curtir um cinema em casa, o plasma talvez ainda seja uma boa opção.

A taxa de atualização da imagem é um item crítico para quem preza por qualidade

É verdade. A taxa de atualização da imagem, também chamada de taxa de frequência, é um item mais técnico, mas com peso importante para quem preza por qualidade, sobretudo em vídeos de muita movimentação, como jogos de futebol. A taxa de frequência é a quantidade de vezes que a TV muda a imagem por segundo. Em TVs mais antigas, é fácil notar a sombra que a bola deixa na tela quando é chutada por um jogador. Uma taxa maior elimina essa percepção. A frequência é medida em hertz (Hz). Hoje, as TVs mais básicas têm entre 60 Hz e 120 Hz. Para jogos, o ideal é a partir de 240 Hz. Outro item que conta na qualidade da imagem é o processador da TV. Assim como nos computadores, quanto melhor o processador, mais rapidamente o televisor reage a comandos. Isso se traduz, também, em melhor transmissão da imagem.

Quanto mais conexões, melhor

Põe verdade nisso. A quantidade de novos aparelhos ligados à TV exige que ela tenha mais conexões. Se, antes, bastavam portas HDMI para a TV a cabo, para o Blu-ray e para o videogame, agora os aparelhos de transmissão de conteú­do por streaming, como Apple TV, o Google ChromeCast e o Amazon Fire TV, passaram a exigir mais entradas nos televisores. Não se esqueça também de verificar a quantidade de portas USB, que servem tanto para conectar pen drives como para gerar energia para alguns aparelhos. Uma curiosidade: TVs com porta USB também carregam telefones celulares. Uma ótima dica para quem esquece o carregador, mas tem o cabo e uma TV disponíveis.

Os aplicativos das smart TVs são lerdos e pouco práticos. Vale a pena substituí-los por centrais multimídia, como Apple TV e Chromecast

Isso era verdade até há pouco tempo. As TVs até tentavam ser inteligentes, mas era quase impossível navegar com agilidade em aplicativos de banco, YouTube ou mesmo de conteúdo sob demanda. Ainda há quem prefira a comodidade de usar uma Apple TV, um ChromeCast ou mesmo um cabo HDMI para espelhar a tela do computador na TV.  Mas a nova geração de smart TVs evoluiu bastante e traz atalhos que substituem o controle remoto, como reconhecimento de voz e de gestos. A TV reconhece o rosto de cada morador da casa e aprende os programas de que ele gosta. Ainda não adivinha o time para o qual torce. É uma questão de tempo.

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