quarta-feira, 31 de julho de 2013

ESPIONAGEM VIRTUAL: AMERICANOS PODEM RASTREAR SUA "VIDA DIGITAL"



Software da NSA pode coletar praticamente qualquer coisa online

 Por Carlos Eduardo Ferreira

O programa conhecido como X-Keyscore permite à agência de segurança dos EUA rastrear quaisquer contas de email, assim como acompanhar todos os seus passos enquanto você navega pela internet.

Já se vê ao longe, hoje, a época em que o potencial de sondagem da NSA (Agência de Segurança Nacional, na sigla em inglês) era apenas fruto de teorias da conspiração — fomentadas por inúmeros anos de cinema hollywoodiano. Entretanto, caso o escândalo recente envolvendo escutas telefônicas em território estadunidense tenha feito você pensar “Ok, é isso”, é melhor olhar novamente: a agência tem algo ainda mais poderoso nas mangas.

Trata-se do software conhecido como X-Keyscore, o qual se diz ser capaz de acessar “praticamente qualquer coisa” em ambiente online. A existência do programa foi revelada pelo agente da NSA Edward Snowden. Segundo ele, o X-Keyscore é capaz de vasculhar qualquer coisa através da internet — desde que essa coisa se utilize do protocolo HTTP.

Entretanto, é ressaltado que, embora a agência possa pescar qualquer coisa do ambiente online, ela não necessariamente o faz. A garanti? Um protocolo bastante simples: o agente interessado em investigar alguém internet afora simplesmente entra com um texto, justificando o expediente — o que não dependerá do aval de superiores ou de qualquer tipo de corte. Sim, isso é bem pouco reconfortante.

Confira os atributos do poderoso X-Keyscore:

   Realizar escutas em qualquer telefone — de forma praticamente instantânea —, podendo ainda registrar todo o histórico de emails;

    Conferir em tempo real cada passo que você dá em ambiente online;

    Ler o email de qualquer um;

    Monitorar conversas no Facebook;

    Ver praticamente qualquer coisa que você faz na internet; e

    Obter os endereços de IP de qualquer site com o protocolo HTTP.

Fonte: The Guardian

terça-feira, 30 de julho de 2013

PAPA FRANCISCO: SERÁ QUE ELE ESTAVA PENSANDO NO PASTOR FELICIANO?

Papa Francisco: Sabedoria é isso!



VoeFAB: CLASSE "DIPLOMATA" ou "EXECUTIVA"

VoeFAB: Exclusivo para Autoridades


BELO MONTE: DESCUMPRIMENTO DE CONDICIONANTES VAI ATRASAR OBRA



Obra de Belo Monte pode atrasar por problemas com Ibama

Greenpeace divulga fotos aéreas da construção da usina de Belo Monte
Greenpeace (Divulgação)
Desta vez não são os índios mundurucus nem os sindicatos. A mais nova ameaça de atraso na construção da controversa hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, parte do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

O risco de paralisação numa fase crucial da obra, iniciada há três anos, é citado em documento publicado silenciosamente pela agência federal na semana passada. Trata-se da análise sobre o terceiro relatório da empresa para acompanhamento do Plano Básico Ambiental (PBA), um rol de 23 exigências sociais e ambientais.

Segundo o documento do Ibama, sete dessas “condicionantes” não estão sendo atendidas. Entre elas, obras de saneamento (rede de água e esgoto), equipamentos de saúde e educação e cadastramento da população a ser reassentada na cidade de Altamira (PA) e região.

“Como resultado da análise dos relatórios (…), fica claro o descompasso entre as obras de construção da UHE [usina hidrelétrica] Belo Monte e a implementação das medidas mitigadoras e compensatórias”, conclui o parecer de sete analistas do Ibama.

“Torna-se evidente que tal descompasso poderá se refletir em atraso na emissão da licença de operação para o empreendimento e consequente enchimento dos reservatórios”. Por ora, Belo Monte conta só com uma licença de instalação, condição para iniciar a obra.

O relatório do empreendedor (Norte Energia S.A.) foi entregue em 30 de janeiro. O Ibama divulgou sua apreciação sobre ele quase seis meses depois, na última quinta-feira. São necessários seis cliques para chegar ao documento na página ibama.gov.br/licenciamento.

A empresa alega que, desde a entrega do relatório, várias ações já teriam sido executadas para atender às exigências do órgão. “A Norte Energia trabalha para manter todos os projetos em execução e dentro dos cronogramas preestabelecidos”, afirma em nota.

Se a ameaça de atraso da licença de operação se concretizar, o consórcio Norte Energia pode ficar impedido de encher o reservatório da usina em 2014, como previsto. Sem isso, não terá como cumprir o compromisso de acionar a primeira das 24 turbinas em fevereiro de 2015.

Quando estiver em plena operação, prevista para janeiro de 2019, a usina de Belo Monte terá uma capacidade instalada de 11.233 megawatts (MW), a terceira maior do mundo, atrás somente de Três Gargantas (China) e Itaipu (Brasil/ParaguaI). Mas o sistema interligado nacional poderá contar apenas com uma média de 4.571 MW de energia firme (garantida).

O custo oficial da obra é de R$ 27,3 bilhões. Com as várias paralisações e alterações de projeto, estima-se que deva ultrapassar R$ 30 bilhões. O valor das compensações ambientais está fixado em R$ 99,5 milhões, que o governo poderá destinar a unidades de conservação.

MULTA

Após elencar diversas pendências relacionadas ao PBA, os analistas do Ibama recomendam a aplicação de “sanções administrativas” para algumas delas. A agência não esclarece, porém, se uma nova multa está em cogitação.

Na análise do primeiro relatório da Norte Energia, o não cumprimento de condicionantes socioambientais levou o Ibama a aplicar uma multa de R$ 7 milhões, em fevereiro de 2012. O valor ainda não foi recolhido, porque a autuação é objeto de recurso administrativo.

O Ibama não se pronuncia sobre a possibilidade de nova multa. Sua assessoria de imprensa diz que antes a empresa será notificada e que uma decisão será tomada só depois de obter resposta aos problemas apontados na análise do terceiro relatório.

ESGOTO

Um dos atrasos mais graves se dá nas obras de saneamento em Altamira. Deveriam ter começado há um ano, mas em abril o Ibama constatava que isso não ocorrera. A Norte Energia informa que elas tiveram início “no primeiro semestre”.

A própria empresa contratada, GEL Engenharia, calcula em 21 meses o prazo para terminar a obra e prevê obstáculos que poderão dilatá-lo. Ela não ficaria pronta antes de fevereiro de 2015, sete meses depois do estipulado (julho de 2014).

A Norte Energia afirma que o prazo da GEL não considerou etapas anteriores já executadas para detalhamento e elaboração dos projetos.

Para o IBGE, Altamira tem 99 mil habitantes, mas a prefeitura estima que já tenha inchado para 150 mil. A Norte Energia planeja acrescentar 8.000 funcionários, ainda neste ano, aos cerca de 20 mil que já atuam na obra.

Hoje, os dejetos da cidade são lançados sem tratamento nas águas do Xingu. Com seu represamento pela usina de Belo Monte, deve ocorrer significativa deterioração da qualidade da água.

Fonte: Folha de São Paulo

DORES ESTOMACAIS: PODE SER MAIS GRAVE DO QUE IMAGINAMOS



Dor no estômago que te faz acordar à noite deve ser avaliada pelo médico

Se houver sangue nas fezes e perda de peso, problema pode ser grave.
Dor no estômago pode ser sintoma de refluxo, gastrite ou até mesmo câncer.
Do G1, em São Paulo 

A dor de estômago pode ser um sintoma de vários problemas, como refluxo, gastrite, úlcera, pancreatite, colecistite, infarto e até mesmo câncer, como explicou o gastroenterologista Ricardo Barbuti no Bem Estar desta terça-feira (30). Geralmente, essa dor aparece por causa de uma combinação de fatores e hábitos inadequados e, por isso, é possível preveni-la com mudanças simples na rotina e também observando pequenos sinais de alerta. Um deles, por exemplo, é o despertar noturno – se a dor te faz acordar durante o sono, é um indício de que o problema pode ser grave e é hora de procurar um médico, como alertou o cirurgião do aparelho digestivo Fábio Atui.

 
Outro problema que indica algo mais grave é a perda de peso – muitas vezes, ela acontece porque o paciente tem a percepção de que a comida pode aumentar a dor e, por isso, deixa de comer. Se houver sangue nas fezes ou no vômito, é mais um sinal de alerta, especialmente se for de uma cor mais escura. De acordo com o cirurgião Fábio Atui, esse sangue escuro nas fezes significa que veio da parte mais alta, ou seja, foi digerido e, por isso, não deve ser ignorado porque é também perigoso.

Em pessoas que já têm dor, existem três fatores que podem piorá-la: estresse, como foi o caso do jovem empresário Christian Barbosa, mostrado na reportagem do Phelipe Siani, cigarro e a bactéria do estômago, a Helicobacter pylorii. De acordo com pesquisas, essa bactéria pode ser uma das principais causas de úlceras e gastrites e, por isso, grande parte dos tratamentos é feito com antibióticos. Segundo o cirurgião Fábio Atui, essa bactéria é mais recorrente em populações que têm maiores problemas sanitários.

Para tratar a dor, muita gente costuma tomar chá de boldo, no entanto, não há trabalhos científicos suficientes que comprovem sua eficácia. De qualquer maneira, os médicos recomendam saber a procedência da planta e procurar um especialista para usar o chá com cautela para evitar overdose das substâncias presentes nele.

Em relação à alimentação, é importante que o cardápio seja leve e balanceado, pobre em gorduras e rico em carboidratos e derivados do leite, como batatas cozidas ou descascadas, purê de batata ou até mesmo sorvete de creme. Além disso, é importante fracionar a dieta, evitar jejum prolongado e também grandes quantidades de comida, que podem alterar a acidez estomacal.

Os médicos falaram também sobre o uso de antiinflamatórios. Assim como os outros remédios, eles também têm efeitos colaterais e, por isso, só devem ser usados quando forem realmente necessários. Isso porque esses medicamentos agem na corrente sanguínea e aumentam a acidez do estômago, o que pode piorar a dor. Por isso, caso o médico tenha receitado um antiinflamatório, é importante pedir também um protetor gástrico para reduzir a agressão.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

AÇUCAR: DOCE VENENO

Açucar pode causar depressão
 Manuella Batista de Oliveira e Eduardo Schenberg



Na mesma época em que os europeus desembarcaram na América, uma mania alimentar invadia a Inglaterra e um sabor exótico, maravilhosamente doce, chegava das Índias Orientais: o açúcar. Os ingleses temperavam quase tudo com o novo produto, até mesmo batatas, carnes, ovos e vinho. A moda tomou conta do país rapidamente. Se pudesse, muita gente comeria açúcar puro na colher. A maioria, porém, não podia, já que o item era bastante caro.  A paixão, aliás, fez muitos ricos ficarem com dentes escuros e podres. E os pobres, que não tinham acesso a tanto açúcar, chegavam a ponto de pintar os dentes de preto.

Uma moda que leva as pessoas a ter dentes estragados – ou a falsificá-los – parece um tanto bizarra quando vista pela perspectiva do século 21. Mas o problema é que o frisson açucareiro segue o mesmo percurso – ou se mostra até mais preocupante – desde os dias do rei Henrique 8o. O consumo de açúcar pelos britânicos na época era de aproximadamente 9 quilos por pessoa por ano, enquanto hoje é de quase 40 quilos. Nos Estados Unidos, a situação é ainda pior: são quase 60,5 quilos por pessoa, anualmente. E aqui no Brasil, 51 quilos anuais – mais de 4 quilos por mês.

A moda do dente podre passou, em grande parte, por mérito dos dentistas, mas o uso de açúcar continua preocupante, já que está comprovadamente associado a problemas tão visíveis quanto dentes escurecidos: são registradas 35 milhões de mortes anuais no mundo relacionadas à obesidade ou decorrentes do consumo exagerado do produto e outros nutrientes que frequentemente o acompanham, como as gorduras. E é no mais inesperado dos produtos que se encontra uma quantidade estrondosa de açúcar: as bebidas. 

Refrigerantes, chás e sucos enlatados ou vendidos em caixas são responsáveis por pelo menos 180 mil mortes anuais no planeta, segundo o estudo The global burden of disease, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O custo para a saúde pública no Brasil também é estrondoso: quase R$ 500 milhões por ano, segundo estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB).

Tudo isso é revelado com transparência no documentário brasileiro Muito além do peso, da Maria Farinha Filmes e do Instituto Alana. Recentemente lançado, pode ser assistido gratuitamente na internet (www.muitoalemdopeso.com.br). O filme devia se tornar, instantaneamente, material didático em todas as escolas do Brasil. Em 80 minutos, o espectador se depara com o problema de forma direta e contundente: ao lado das latinhas de refrigerante, caixinhas de doces e de suco, são colocados sacos com a quantidade de açúcar encontrada dentro das respectivas embalagens. É difícil acreditar no que vemos: uma lata pequena de bebida contém sete saquinhos de açúcar. O consumo de uma lata por dia em um mês corresponde a 1,1 quilo de açúcar, o que encheria quase cinco latinhas só com açúcar.

“DISFARCE” DE CARBOIDRATO

Os esquisadores estimam que, diariamente, uma criança consuma, em média, 250 calorias extras, provenientes desses líquidos açucarados. O excesso constante pode ocasionar danos irreparáveis à saúde, mesmo em crianças de apenas 4 anos, contribuindo para o aumento significativo da incidência de diabetes tipo 2 nos primeiros anos de vida. Estima-se hoje que 33,5% das crianças brasileiras sofram de sobrepeso ou obesidade – e de cada cinco meninas e meninos obesos, quatro manterão essa condição na idade adulta.

Para o endocrinologista Amélio de Godoy Matos, o quadro está diretamente relacionado a doenças cardiovasculares, a maior causa de mortalidade no mundo. E mais: há associações com depressão, estresse e até mesmo alguns tipos de câncer.

A endocrinologista Danielle Macellaro Andreoni, da Universidade de São Paulo (USP), cita sua experiência com uma paciente de 62 kg. Ela sofre de hipertensão, diabetes tipo 2, apresenta ainda colesterol, ácido úrico e triglicérides elevados. À primeira vista, esse parece ser o quadro de uma pessoa de 60 anos. Entretanto, surpreendentemente, tem apenas 9. A médica teme que situações como essa se tornem cada vez mais comuns, já que, atualmente, o uso de açúcar aumenta exponencialmente entre crianças e adolescentes, principalmente com o consumo extravagante de bebidas açucaradas. A estratégia de propaganda é perversa: as embalagens não são claras, e quando aparece, o açúcar vem descrito como “carboidrato”, palavra desconhecida da maioria da população.

Outro agravante é o fato de que mães e pais pouco informados oferecem a seus filhos essas bebidas açucaradas muito cedo: estima-se que 56% dos bebês brasileiros hoje consomem o líquido doce dessas latinhas em suas mamadeiras antes mesmo de completar o primeiro ano de vida. E, enquanto crescem, nas poucas horas diárias que passam na escola, não aprendem uma das coisas mais básicas e fundamentais: noções de nutrição saudável.

Além disso, nos programas de televisão aos quais assistem por pelo menos cinco horas diárias, as crianças são incentivadas a desejar compulsivamente os doces venenos, disseminados na categoria junk food. O termo foi criado na década de 70 por Michael Jacobson, então diretor do Center for Science in the Public Interest. A expressão junk food está associada a alimentos com alto teor calórico, ricos em açúcar, sal, gordura saturada e aditivos, como glutamato monossódico e tartrazina – mas com níveis reduzidos de nutrientes saudáveis. Oferecem poucas proteínas, vitaminas e fibras dietéticas. Esses “alimentos-lixo” são propagandeados pelos programas de TV como fonte da felicidade, e para vender essa ideia são utilizados efeitos especiais, alta tecnologia e personagens queridos da garotada. Os roteiros são elaborados para capturar a atenção dos pequeninos, seduzidos por alimentos e bebidas acompanhados de brinquedos e bugigangas – a isca perfeita.

Como enfatiza o documentário Muito além do peso, “criança é cidadão e tem o direito a ser informada e a escolher de acordo com as informações que recebe”. E, de fato, estudos neurocientíficos recentes mostram que essa história trágica pode começar a mudar no processo de escolha das próprias crianças. Entretanto, este é apenas o capítulo inicial, já que os efeitos dos produtos açucarados vão muito além do processo de escolha. Do ponto de vista neurológico, a ação do produto contribui para a modificação da atividade de várias estruturas cerebrais, e o resultado pode ser o prejuízo da capacidade de tomar decisões. A questão é tão séria que, do ponto de vista da neurociência, o açúcar pode ser considerado uma droga, já que é capaz de criar dependência.

COM APOIO DAS LEIS

Para começar, o cérebro, com cerca de 2% do peso total de nosso corpo, recebe aproximadamente 15% do volume de sangue bombeado pelo coração e usa principalmente a glicose como molécula energética. Assim, consome 25% da glicose disponível em todo o organismo. Ou seja: o mais sofisticado dos órgãos utiliza açúcar como fonte de energia – e o capta rapidamente. Mas ao chegar ao cérebro, o açúcar ativa as mesmas regiões que as drogas legalmente proibidas, como cocaína, e outras legalizadas, como o álcool. As principais estruturas neurológicas envolvidas nesse processo são o hipotálamo, o estriado dorsal e áreas do córtex pré-frontal. Essas regiões formam uma rede já muito bem conhecida pela ciência, ligada aos mecanismos de satisfação: o circuito dopaminérgico mesocortical. Trata-se de uma via cerebral que libera principalmente o neurotransmissor dopamina, importante na sensação de prazer. Quando essas áreas são ativadas frequentemente por hábitos como o consumo diário e excessivo de açúcar, desencadeia-se um círculo vicioso quase impossível de parar. É possível observar isso no comportamento de ratos de laboratórios mundo afora: durante os testes, os animais chegam a consumir açúcar de forma mais compulsiva que cocaína.

Para a psiquiatria, a dependência de drogas é definida como uma situação em que ocorrem quatro ou mais das seguintes condições: desejo intenso de consumir a substância; incapacidade de controlar o próprio uso; síndrome de abstinência (tensão e irritação quando não utiliza a substância); tolerância aos efeitos (consumo cada vez maior para obter a mesma sensação de prazer); muito tempo gasto procurando, consumindo e se recuperando dos efeitos; continuidade no uso do produto, mesmo com o surgimento de problemas. No caso do açúcar, e das crianças mais especificamente, é gritante o desejo de consumir, a quase que total incapacidade de controlar esse consumo, o excesso de tempo gasto procurando doces e comendo-os e a persistência do consumo, mesmo com o aparecimento de problemas sérios como obesidade e diabetes, dores nas pernas e incapacidade de se exercitar.

A questão tem levantado interesse crescente da comunidade científica e chegou a ser tratado na capa do periódico científico Nature Neuroscience. Se para adultos já é complicado parar com hábitos que incluem a forte ativação do circuito dopaminérgico mesocortical, para crianças é muito mais. O excesso de ativação dessa via prejudica o córtex frontal e algumas de suas conexões que nos permitem fazer escolhas. Por isso, para os pequenos dependentes de açúcar, tomar a decisão de comer ou beber algo mais saudável é quase impossível.

É com base nessa situação que vários cientistas têm defendido a regulamentação do açúcar para menores de idade. Essa proposta, que pode parecer radical para muitos, foi recentemente veiculada pelo Center for Science in the Public Interest, dos Estados Unidos.

No Brasil, a sociedade civil tem se organizado razoavelmente bem em torno do assunto.

No Rio de Janeiro, em Florianópolis e Belo Horizonte já há leis restringindo a publicidade de alimentos não saudáveis para crianças. No estado de São Paulo, uma lei aprovada pelos deputados para limitar a propaganda para crianças foi vetada pelo governador Geraldo Alckmin, embora o projeto conte com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Certamente, as leis podem significar avanço na batalha entre a TV e os pais, na tentativa de influenciar os hábitos alimentares das crianças. Mas a legislação não resolve todo o problema: é fundamental que pais, mães, professores e educadores tenham conhecimento da gravidade da situação e se empenhem em mudar aquilo que nossas crianças – e também aquilo que nós, adultos – colocam dentro do corpo sem questionamento, mas de forma tão prejudicial.