quarta-feira, 13 de julho de 2011

BELO MONTE: QUAIS SÃO OS ÍNDIOS QUE SERÃO AFETADOS?

BELO MONTE: OS GRUPOS INDÍGENAS QUE SERÃO AFETADOS PELO EMPREENDIMENTO NA REGIÃO DE ALTAMIRA-PA



1 – GRUPO INDÍGENA ARARA

Este grupo teve seu território cortado ao meio pela abertura da rodovia Transamazônica e foi contactado no ano de 1981 e 1983,  após perambular por toda a região dos rios Curuá-Uma, Pacajá, Xingu e Iriri, mantém hoje uma aldeia ( Laranjal ) localizada na margem esquerda do rio Iriri, acima da localidade conhecida por Desvio, há cerca de 07 horas de voadeira da cidade de Altamira. Este tempo de deslocamento pode variar, em razão da estação; no inverno, gasta-se menos tempo para atingir a aldeia, cerca de 05 horas. Atualmente somam uma população de 263 índios e falam uma língua classificada como pertencente ao tronco lingüístico karib. Residem na Terra Indígena Arara, com 274.010 hectares, área esta demarcada, homologada e registrada.


2 – GRUPO INDÍGENA ASSURINI

 Grupo contactado no ano de 1.976, nas margens do igarapé Ipiaçava, afluente da margem direita do rio Xingu, foi deslocado após o contato para a margem do rio, onde está localizada a Aldeia Koatinemo. Durante longo tempo, este grupo decidiu não mais se reproduzir, em razão, permanecendo com uma população bastante reduzida, situação que obrigou a FUNAI, a realizar um sério trabalho de recuperação demográfica. Sua população hoje soma 161 indígenas (mai/11) e falam a língua do tronco lingüístico Tupi. Residem na Terra Indígena Koatinemo, com 387.834 hectares, demarcada, homologada e registrada.


3 – GRUPO INDÍGENA ARAWETÉ

Este grupo foi contactado no ano de 1.977 e durante o contato, teve a população reduzida consideravelmente, em razão de surtos epidêmicos causados pela carência imunológica. Considerado como um grupo de características nômades, possuíam aldeias  em vários locais, destacando as fixações  ao longo do igarapé Ipixuna, afluente da margem direita do rio Xingu. Hoje estão divididos em 06 aldeias, distribuídas ao longo do rio Xingu e igarapé Ipixuna, perfazendo uma população total de 330 indios, falantes de língua Tupi. Residem na Terra Indígena Araweté do Igarapé Ipixuna, com superfície de 980.939 hectares, demarcada, homologada e registrada.

4 – GRUPO INDÍGENA PARAKANÃ

 Grupo indígena dissidente do grupo da região do Itacaiúnas, este grupo foi contactado pela FUNAI nos anos de 1.983/84, nas proximidades do igarapé Bom Jardim, afluente da margem direita do rio Xingu. Conhecidos como destemidos guerreiros, atacou vários outros grupos na região, como os Xikrin e os Araweté, antes do contato. A população atual é de 392 indígenas, divididos em 03 aldeias e falantes de língua Tupi. Residem na Terra Indígena Apyterewa, com 733.000 hectares, demarcada e homologada.

5 – GRUPO INDÍGENA KARARAÔ

 Grupo kayapó, contactado na década de 70, é um dos grupos com menor população da região de Altamira, residindo em uma aldeia, na margem esquerda do rio Iriri, totalizando57 índios. Seu território indígena está demarcado, homologado e registrado, num total de 330.000 hectares. São falantes do tronco lingüístico Gê.


6 – GRUPO INDÍGENA ARARA (Cachoeira Seca )

 Embora o nome, não existe quaisquer relações com os Arara Maia, da Volta Grande do Xingu. Este grupo foi contactado em 2007 pelo sertanista Afonso Alves da Cruz e seu histórico, confirma a proximidade e relação familiar com os Arara do Laranjal. Também falantes de língua karib, soma hoje uma população de 87 índios, residindo na Terra Indígena Cachoeira Seca, que está sendo demarcada (2011), com uma superfície de 734.000 hectares.


7 – GRUPO INDÍGENA XIPAYA

 Este grupo teve seu contato ocorrido ainda na década de 40, havendo poucos registros sobre o fato. Muitos membros destes grupos hoje encontram-se vivendo nos perímetros urbanos ou localidades ribeirinhas, em relações matrimoniais com não-índios. Não falam mais o idioma tradicional do grupo, que é classificado como Tupi. Um grupo de 95 remanescentes indígenas residem na Terra Indígena Xipaya, com 177.671 hectares, nas proximidades do Entre-rios ( Curuá e Iriri ), terra demarcada e homologada, divididos em 02 aldeias.

8 - GRUPO INDÍGENA KURUAYA

 Como os Xipaya, tiveram seu contato com a sociedade nacional ainda na década de 40, havendo casamentos entre os dois grupos e com não-índios. Muitos vivem em perímetros urbanos e nos beiradões dos rios Iriri, Xingu e Curuá. Residem em uma aldeia no rio Curuá na Terra Indígena Kuruaya, demarcada e homologada com uma superfície de 166.000 hectares. Classificados como falantes de língua Tupi, não praticam mais o idioma tradicional do grupo.


 9 – GRUPO INDÍGENA JURUNA

 Grupo indígena contactado também na década de 40, residem na chamada Volta Grande do Xingu. A exemplo dos Xipaya e Kuruaya, não falam a língua materna do grupo, havendo inúmeras relações interraciais. Muitos juruna residem na cidade de Altamira e nos beiradões. Residem na Terra Indígena Pakisamba, com 4.434 hectares, demarcada, homologada e registrada, entretanto existem estudos para revisão de limites de seu território. Segundo estudos, é um dos grupos que serão mais diretamente atingido pelos impactos da hidrelétrica de Belo Monte. A população aldeada soma hoje 123 indios, divididos em 02 aldeias.


10 – GRUPO INDÍGENA ARARA DA VOLTA GRANDE

Apesar de residirem na região da Volta Grande desde o século XIX, este grupo indígena somente foi oficialmente reconhecido pela FUNAI no ano de 2007, quando tiveram os limites de suas terras definidos em 25.000 hectares. Esta área foi recentemente demarcada (mai/11). Nesta área vivem cerca de 108 remanescentes indígenas, não mais falantes da língua materna. Como os Juruna, serão os mais diretamente atingidos pela hidrelétrica de Belo Monte.
 
11 – GRUPO INDÍGENA XIKRIN do BACAJÁ

 Grupo dissidente dos Xikrin do rio Cateté, da região de Marabá, foram contactados pelo SPI, na década de 50, na região do rio Bacajá, afluente da margem direita do rio Xingu, na Volta Grande do Xingu. Pertencentes á família kayapó, os Xikrin são o grupo mais organizado e politicamente influente na políticia indigenista local. Conhecidos por sua índole guerreira, residem na Terra Indígena Trincheira/Bakajá, com 1.650.000 hectares, demarcada, homologada e registrada na região do rio Bacajá e estão divididos em 04 aldeias. Este grupo se destaca pela sua determinante preservação cultural, havendo entre o grupo, forte resistência quanto ás relações com não-índios. A população total soma 691 indígenas.

Além destes grupos, a FUNAI ainda presta assistência  e espera a definição de estudos antropológicos e fundiários para definir a situação de algumas famílias que residem ao longo da estrada de acesso a Vitória do Xingu, no Km 17. Estas famílias somam 54 pessoas, pertencentes do grupo Juruna. Indígenas de várias outras etnias  ( Arara, Karajá, Kayabi, Kayapo, Kuruaya, Xipaya, Mundurucu, Xavante, etc ) vivem nas cidades da região, com maior incidência no município de Altamira. Estima-se em torno de 2.500 índios não-aldeados.

Vistorias e registros oficiais também já foram realizados, visando a identificação de um grupo indígena isolado, que perambula na região entre os rios Bom Jardim, Bacajá e Ituna. A FUNAI já interditou uma área para efeito de proteção deste grupo isolado.



Responsável pelas informações:
Nerci Caetano Ventura
Técnico Indigenista/FUNAI.

www.caetanearaltamira.blogspot.com 

Um comentário:

  1. Possível solução de toda essa guerra gerada pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

    Qualquer atividade que for ser realizada dentro do país, que cause grandes impactos, sejam quais forem, deve ser discutida e aprovada pelo Congresso Nacional, se a mesma envolver todo o país ou se ela estiver relacionada a áreas que estejam sobre os cuidados, proteção e administração da União. Caso não passe pelo Congresso Nacional, exorbita o poder regulamentar do País. Dependendo da gravidade, dos impactos e da possível comoção nacional do povo, o Congresso Nacional pode fazer jus de um plebiscito ou de um referendo (se for o caso).

    Dependendo do caso, o plebiscito e o referendo podem ser pedidos ao Congresso Nacional por meio de um abaixo-assinado vindo do povo, mostrando assim o ensejo do povo em ser ouvido e consultado sobre o tema tratado ou que irá ser tratado pelo Congresso Nacional.

    * Plebiscito é uma consulta ao povo antes de uma atividade ou projeto que vai ser discutido no Congresso nacional ou de uma lei ser constituída, de modo a aprovar ou rejeitar as opções que lhe são propostas.

    * Referendo é uma consulta ao povo após a lei ser constituída (atividade ou projeto), em que o povo ratifica ("sanciona") a lei já aprovada pelo Estado ou a rejeita.

    A Usina Hidrelétrica de Belo Monte vai estar interligada ao Sistema Nacional de Energia Elétrica, ou seja, caso precise da energia dela para se distribuída pelo país, será usada e caso haja um problema de funcionamento nela, como ocorreu na Usina Hidrelétrica de Itaipu, todo o sistema energético do país pode ser comprometido ou deixa de funcionar (todo ou certa parte deste sistema) temporariamente, para evitar possíveis danos e sanar as falhas de tal Usina Hidrelétrica. Isso envolve diretamente a vida de todos os Brasileiros que depende da Energia Elétrica do Sistema Nacional de Energia Elétrica do país.

    Além disso, a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte envolve Terras Indígenas que estão sobre os cuidados, proteção e administração da União.

    Resumindo:

    Basta o povo se organizar e fazer um abaixo-assinado pedido ao Congresso Nacional que seja feito um Referendo, para que o povo possa ser consulta. No referendo, o povo irá ratificar ("sancionar") a lei já aprovada de autorização da Construção de Belo Monte ou rejeitar a mesma.

    "A natureza é fonte inesgotável de saber e vida. Quem a destrói comete o genocídio dos pensamentos e ensinamentos que foram dados por ela."

    (Cientista e Pensador Herbert Alexandre Galdino Pereira)

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