quarta-feira, 20 de setembro de 2017

COMPORTAMENTO: CONHEÇA UM PSICOPATA

Identifique uma pessoa PSICOPATA: Encontre nela estas 8 características
Por


Psicopatas não são apenas aqueles homens com uma faca na mão e olhar de louco, como os filmes americanos descrevem.
A verdade é que cruzamos na rua com pessoas com personalidade psicopata e nem damos conta disso.
Foi no século XIX que os médicos começaram a perceber que havia pacientes com grande distúrbio psicológico, mas com uma aparência normal.
Essas pessoas têm desordens sérias que estão relacionadas à genética, por isso são altamente perigosos.
No entanto, também há o “sociopata”, um termo usado para se referir aos que sofrem com distúrbios, mas que são menos perigosos
A diferença do primeiro para o segundo é a consciência.
Sabe quando fazemos algo errado e logo temos noção disso?
Os psicopatas, infelizmente, são desprovidos dessa capacidade de discernir o certo e o errado.
Ou seja: eles manipulam as pessoas e praticam o mal, mas não sentem absolutamente nada.
E o mais perigoso de tudo isso: são pessoas aparentemente normais e simpáticas.
Veja as oito características comuns para identificar um psicopata:
1. Não se sente culpado
Você pode falar ou até provar a gravidade do mal que a pessoa está fazendo, mas ela simplesmente vai ignorar.
Isso porque o importante, para ela, é alcançar o objetivo.
Então nunca vai se sentir mal por nada.
2. É manipulador
O psicopata não consegue entender o outro nem ser grato.
O máximo que consegue é imitar a simpatia, a fim de manipular as pessoas.
Não é à toa que gente assim não consegue manter amizades saudáveis por muito tempo.
3. Gosta de fazer com que os outros se sintam culpados
O psicopata adora brincar com as emoções.
É habilidoso em conquistar sua confiança para uma futura manipulação.
4. É egoísta
Não importa se o mundo está se acabando, para os psicopatas, tudo está bem quando eles estão bem.
5. Sente-se superior
Este é o segredo de tudo.
O psicopata não se importa em fazer mal porque ele se considera melhor e mais inteligente do que qualquer outra pessoa.
Ou seja: ele acredita que deve controlar tudo ao seu redor.
6. É calculista
O psicopata é frio e calculista, além de fingir muito bem.
É um ator em cena, que engana muito bem, de forma que domina e controla as pessoas sem elas perceberem.
7. É bastante popular
Incrível, não é mesmo?
O psicopata parece amigável, acessível e aparentemente capaz de se dar bem com todo mundo.
Ele geralmente tem boa aparência e é popular.
8. Não é responsável por suas ações
Isso mesmo!
O psicopata faz muitas coisas erradas, mas não consegue se responsabilizar por nenhuma delas.
Ele é incapaz de olhar nos olhos de alguém e discutir sobre seus erros.
Ao contrário!
Geralmente, pessoas com esse distúrbio fogem da realidade.
IMPORTANTE
Tudo o que trouxemos são sinais comuns de psicopatia.
No entanto, só é possível determinar que alguém sofre desse mal com a ajuda de um especialista.
Estamos alertando sobre isso porque é muito capaz de você conhecer alguém com esse perfil.
No entanto, pode ser que a pessoa seja simplesmente um “vampiro emocional”, aquele tipo de gente que escolhe ser da pior qualidade, mas com saúde mental perfeita.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

CLIMA: EM TEMPOS DE FURACÕES, TORNADOS E TROMBAS DÁGUA

Como se forma um furacão?
Por Giovana Tiziani
640px-Dimmitt_Tornado1_-_NOAA

Como qualquer chuvinha, o furacão se forma a partir da evaporação de água para a atmosfera. Óbvio que o furacão não é uma chuvinha qualquer: é uma megatempestade, com torós que podem durar uma semana e ventos que ultrapassam os 200 km/h. A evaporação de água também ocorre em grandes proporções, numa área de centenas de quilômetros, e em condições especiais: no meio dos oceanos, em regiões de águas muito quentes e ventos calmos. Por isso, os furacões são fenômenos tipicamente tropicais. No Brasil, os cientistas achavam que era impossível ocorrer algum furacão – as águas do Atlântico Sul têm temperatura inferior aos 27 ºC necessários para gerar o fenômeno.
Mas muitos pesquisadores mudaram de opinião quando a tempestade Catarina atingiu o sul do país, em 2004. “Naquela época, a temperatura da água estava acima do normal, permitindo a formação do primeiro furacão brasileiro. E a estrutura do Catarina era idêntica à de um furacão”, diz o meteorologista Augusto José Pereira Filho, da Universidade de São Paulo (USP).
Também vale a pena esclarecer uma dúvida comum: qual a diferença entre furacão, ciclone, tufão e tornado? Furacão, ciclone e tufão são nomes diferentes para o mesmo fenômeno: na Índia e Austrália, as tempestades oceânicas são chamadas de ciclones. No Japão e na Indonésia, tufões. E na América, a denominação mais comum é furacão. Já os tornados são outra coisa. Eles se formam no continente e são muito menores – têm entre 100 e 600 metros de diâmetro – duram alguns minutos e são bem mais destruidores: seus ventos podem ultrapassar 500 km/h.
E o vento levou…
Furacões mais arrasadores têm chuvas pesadas e rajadas de 250 km/h

FORMAÇÃO DO FURACÃO

1. Os furacões nascem no meio dos oceanos, em locais de pouco vento e águas quentes, acima de 27 °C. Nessas áreas, a evaporação é intensa: a água do mar esquenta, vira vapor e forma grandes nuvens. É o começo do fenômeno
2. No local em que a água evapora, a pressão do ar é mais baixa do que nos arredores. Isso faz o ar se deslocar das áreas onde a pressão é maior para o centro do furacão. Esse ar vem cheio de umidade, que evapora e faz crescer o furacão
CRESCIMENTO DO FURACÃO

3. Em um ou dois dias o “bichão” já está gigantesco, com 500 km de diâmetro e mais ou menos 15 km de altura. Por toda a área do furacão, chove e venta muito. As rajadas variam entre 118 km/h e 249 km/h;
4. Por ser um enorme fenômeno atmosférico, o furacão sofre os efeitos da rotação da Terra. Ela faz o ar das áreas de alta pressão como o topo girar em um sentido, enquanto o ar da base  onde a pressão é baixa  gira no sentido contrário.
AUGE DO FURACÃO

5. No meio da tempestade fica o chamado olho do furacão, com 20 km de diâmetro. Nessa área faz muito calor, não há nuvens e não chove. É por essa região que a água segue evaporando, alimentando o furacão.
6. No oceano, os furacões avançam em regiões de água quente. Ao atingir a terra firme que é mais fria e seca que o mar  eles perdem força e se dissipam. Mas provocam inundações, ondas de até 15 metros e ventos fortes.

Como se mede a intensidade de um furacão?
Os meteorologistas utilizam dois critérios: a velocidade dos ventos e os danos causados pelo fenômeno. “Para ser classificado como um furacão, o centro da tempestade deve ter ventos de pelo menos 118 quilômetros por hora. Depois, dependendo da rapidez dos ventos e sua capacidade de destruição, os furacões são divididos em uma escala de cinco categorias, batizada de Saffir-Simpson, uma homenagem aos dois americanos que desenvolveram essa gradação na década de 70”, afirma a meteorologista Rosmeri Porfírio da Rocha, da USP. A partir da categoria 3, os furacões provocam estragos consideráveis. Quando os ventos ultrapassam 178 quilômetros por hora, eles podem arrancar grandes árvores e levantar pequenas construções. Piores que os efeitos das rajadas são as chuvas que acompanham a passagem dos furacões. Nos Estados Unidos, um estudo da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), a agência governamental que cuida de atmosfera e oceanos, revelou que as inundações das áreas costeiras foram responsáveis por 59% das mortes causadas por furacões nas últimas três décadas no país – o vento respondeu por apenas 12% das vítimas. A América do Norte, aliás, voltou a sofrer os efeitos de um furacão com a passagem do Isabel, que obrigou o deslocamento de 250 mil pessoas e matou pelo menos 30 em setembro. Esse número, porém, é fichinha se comparado ao 1 milhão de vítimas na passagem do furacão mais mortal da história, que devastou Bangladesh em 1970. Sorte que nosso país não sofre com esses desastres naturais. “Eles são mais comuns em regiões onde a água do mar é quente e transfere umidade para a atmosfera, alimentando as enormes nuvens de tempestade ao redor dos furacões. No Brasil, como a água do Atlântico Sul tem temperaturas menores, não há
Escala da destruição

Quando os ventos ultrapassam os 178 km/h, árvores são arrancadas e casas voam pelos ares

CATEGORIA 1
Ventos de 118 a 153 km/h
Danos mínimos
Uma tempestade passa a ser considerada um furacão quando a velocidade dos ventos no centro da tormenta é superior a 118 km/h. Nessa primeira categoria, a passagem do fenômeno praticamente não provoca destruição. Prédios e casas permanecem intactos, mas o vento arrasta arbustos e derruba galhos de árvores e placas, além de causar pequenas inundações em áreas litorâneas
CATEGORIA 2
Ventos de 154 a 177 km/h
Danos moderados
Nesse nível, os furacões conseguem destruir parcialmente telhados, portas e janelas. No oceano, a ancoragem de pequenas embarcações pode ser rompida e ondas até 2,40 metros acima do nível normal inundam ruas da orla, obrigando a retirada dos moradores. Depois de perder força ao se deslocar pelo oceano Atlântico, o furacão Isabel foi encaixado nessa categoria ao chegar ao continente
CATEGORIA 3
Ventos de 178 a 209 km/h
Danos Grandes
A partir dessa categoria, o furacão já é considerado um fenômeno de grandes proporções. Ventos superiores a 178 km/h conseguem derrubar árvores e gerar ondas 3 metros acima do normal, danificando casas próximas à linha da costa. Construções menores ou pouco resistentes, como trailers e casas pré-fabricadas, podem ficar completamente destruídas
CATEGORIA 4
Ventos de 210 a 249 km/h
Danos extremos
O poder de destruição de um furacão do tipo 4 é 100 vezes maior que um do tipo 1. Ventos maiores que 210 km/h costumam causar problemas estruturais em grandes construções, derrubando paredes e tetos. Ondas 5 metros acima do normal geram inundações graves e provocam erosão nas praias. Um exemplo é o furacão Andrew, que devastou a costa da Flórida em 1992
CATEGORIA 5
Ventos superiores a 249 km/h
Danos catastróficos
É alta a possibilidade de mortes quando passam os furacões mais violentos. Árvores são arrancadas pela raiz, placas são arremessadas, casas e edifícios inteiros podem cair. Os danos se espalham por até 16 quilômetros nas áreas próximas à costa e a região precisa ser evacuada. Nessa categoria, um dos piores foi o furacão Camille, cujos ventos de 320 km/h atingiram a costa americana no golfo do México e mataram 256 pessoas.

O que é uma tromba-dágua?

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Eis aí uma expressão que costuma provocar uma tremenda bagunça conceitual. Vamos explicar: no sentido popular, tromba-dágua indica uma chuvarada forte e restrita a uma determinada região. “Mas, para os cientistas, essa definição é errada. Na verdade, tromba- dágua é um tornado que se forma sobre uma superfície líquida, captura umidade e vai andando rumo ao continente”, afirma o meteorologista Marcelo Seluchi, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP). A maioria das trombas- dágua surge a partir de nuvens de tempestade em cima do mar, mas o fenômeno também aparece nos caudalosos rios amazônicos e nos Grandes Lagos da América do Norte. “No Brasil, as trombas-dágua não são muito comuns. No mundo, elas aparecem com freqüência no litoral da Flórida, nos Estados Unidos, onde as condições climáticas favorecem a formação de tornados oceânicos durante o ano todo”, diz outro meteorologista, Wando Celso Maugeri Amorim, da Universidade de São Paulo (USP).
Apesar da aparência assustadora, o turbilhão úmido geralmente não causa grande destruição. Em comparação com os tornados formados no continente, cujas rajadas ultrapassam 200 km/h, as trombas-dágua são mais amenas, pois seus sopros chegam no máximo a 80 km/h. Isso acontece porque a formação da espiral de ventos depende do aquecimento da superfície. “Como o mar se aquece muito menos que a terra firme, as correntes de ar quente que ajudam a formar os tornados oceânicos são bem menos intensas”, diz a meteorologista Maria Assunção da Silva Dias, também da USP. O grande problema é quando aparecem várias trombas-dágua na mesma região – ou quando uma área é afetada pela espiral e também pelas chuvas torrenciais da nuvem que a originou. Aí, sim, podem ocorrer enchentes destruidoras.
Espiral viajante Fenômeno nasce no mar e caminha em direção ao litoral

1. Em geral, uma tromba-dágua surge a partir de enormes nuvens de tempestade, que podem ter mais de 12 quilômetros de altura e 10 quilômetros de diâmetro. Para que o fenômeno aconteça, correntes de ar quente devem carregar bastante umidade para camadas mais altas da atmosfera
2. Em estações de clima ameno sobretudo na primavera as correntes de ar quente e úmido que sobem do mar se chocam com o ar frio e seco das camadas elevadas. Dentro da nuvem, o contato entre as correntes faz surgir uma espiral de ventos. Dependendo da força das correntes, a espiral aumenta de tamanho
3. Quando a intensidade das correntes é grande, o turbilhão de ventos se expande e atinge a superfície do mar, soprando gotículas de água para dentro da espiral. Impulsionado pelas rajadas da baixa atmosfera, o tornado oceânico molhado com até 1 quilômetro de altura e 100 metros de diâmetro avança rumo ao continente
4. Os efeitos mais perigosos das trombas-dágua ocorrem quando a espiral se desloca pelo mar. Ventos superiores a 60 km/h podem surpreender pequenas embarcações, virando canoas e barcos a remo. Mas, como o turbilhão avança a pouco mais de 20 km/h, navios com motor conseguem desviar facilmente da rota da tempestade]
5. Quando chega ao continente, a tromba-dágua entra em contato com as construções do litoral, provocando uma chuva rápida e intensa. A tempestade não costuma causar inundações, porque os pingos caem ao longo de toda a trajetória da espiral, e não em uma única área. Os ventos também não são tão fortes: no máximo, podem derrubar galhos de árvores e destelhar casas
6. Depois do atrito com a terra firme e com as construções da orla, a maioria das gotículas de água já caiu no continente. Os ventos também perdem força e a tromba-dágua começa a se dissipar. Todo o processo é bem rápido: a maioria dos tornados oceânicos não costuma durar mais que 20 minutos

COMPORTAMENTO: A ARTE DE VIVER, SEM FRESCURAS!

COMO SOMOS VAIDOSOS...!
 Márcio Oliveira 
morador do Km 90 - Medicilândia-PA 
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, oceano, céu, atividades ao ar livre, natureza e água

Outro dia alguém numa conversa sobre a morte (sim, sobre ela mesmo), disse o seguinte: __ Márcio, ninguém quer morrer. Como somos vaidosos, não?
Eu perdi minha mãe pro câncer e revivi todo o seu sofrimento vendo o apresentador Marcelo Rezende passar pela mesma coisa essa semana.
Semana passada, a vida de uma jovem amiga nossa nos foi tirada por um marido covarde e presenciar o sofrimento daquela família, em especial daquela mãe que enterra a filha é de lascar. Não há palavras nesse mundo pra descrever tal dor.
Almir Satter cantou: __ Todo mundo ama um dia. Todo mundo chora. Num dia a gente chega, no outro vai embora.
Tudo isso é muito chocante, não? Pois é, mas é mais normal do que parece. Nesse momento, nesse exato momento, tem alguém morrendo, alguém tendo seu carro roubado e levando um tiro, alguma mulher sendo agredida e/ou abusada, uma mãe abandonando seu filho e acidentes banais acontecendo, tirando a vida daqueles a quem amamos ou pensamos amar.
Ninguém fala sobre isso ou pára pra pensar sobre isso e sabe porque? Porque acreditamos ser infinitos, que não morreremos. Penso muito na morte. Não porque gosto dela, mas pra lembrar de fazer coisas em vida, pra que minha vida possa em algum momento dela ter valido a pena.
Ainda hoje li em algum lugar, a frase de um escritor brasileiro que dizia o seguinte: __Quem se mata de trabalhar, merece mesmo morrer. (Achei de uma beleza incrível).
A gente não morre quando o corpo não funciona mais. Morremos quando não percebemos quão rápido é esse trem, quão rápido nossa vida passa diante de nós e perdemos tempo com trabalho demais, com pessoas estranhas e não tiramos tempo pra nossa família, pros nossos filhos, pras coisas simples, como assistir seu filho jogar uma bola ou de esconde-esconde com sua filha, que ingênua morre de felicidade ao encontrar você.
Quando penso quanta doidice fiz na vida e escapei ileso, chego a conclusão que estou no saldo faz tempo. Achei alguém corajosa pra casar comigo, tenho filhos que foram por muitos anos, meu maior sonho, uma casa e um trabalho, o que mais posso pedir?
Outro dia, perguntei à minha esposa se ela tivesse somente 3 meses de vida, o que ela faria? Ela me olhou atravessada, depois concordou comigo. Haverá momentos na nossa vida que iremos desejar tempo e não mais teremos. Iremos querer consertar algo e não haverá como. Iremos querer curtir nossa família ou filhos e o tempo haverá passado.
Resultado de imagem para imagens as belezas da vida
Convivo com gente tão pobre que a única coisa que tem é o dinheiro. Possuem empresas, carros, fazendas, empregados mas não vivem em comunidade, nunca foi à escola do filho, nunca comeu um churrasco num torneio ou fritou uma traíra numa pescaria na mata com amigos. Ouço de crianças, que seus pais não ligam prá elas, que não brincam, que não se fantasiam de louco, ainda que por alguns momentos. No final, vivem prá quê mesmo?
Jogo na mega sena direto, almejo a riqueza fácil na brincadeira de um hábito, mas também confidencio à minha esposa: __Sabia que se ficarmos rico com isso, a primeira coisa que iremos perder é nossa família? O dinheiro corrompe as pessoas. Não os deixam ver e nem sentir o sabor de um cafezinho simples, tomado na área da casa de alguém simples como você. Te afasta dos outros e no fim o deixa solitário. Sei que no fundo, mesmo com todas possibilidades de mimos aos meus filhos (caso um dia acertasse) o que estaria fazendo realmente era afastá-los de mim.
Essa noite, minha filha dormiu na nossa cama. Havíamos prometido à ela no sábado. Ela se mexe toda, parece um pião na cama. Mas e daí? Haverá um dia em que já formada, criará asas e voará do nosso lar. Em vão, buscaremos seu cheirinho, sua pele macia e suas gracinhas e não mais encontraremos. O tempo é agora. Hoje!
Por isso falo da morte sem medo. Porque no fundo estou me preparando prá quando essa danada chegar. A maioria das pessoas se enganam, mas eu não. Pensam que levarão seu melhor cavalo, suas roupas de marca, seus carros ou mesmo a terra de suas fazendas no caixão. Ledo engano! A única terra que levarão será na cara, se alguém em manifestação de respeito, resolver sepultar. (Eu não levarei, eu deixarei COISAS MAIS IMPORTANTES.)
Decidi viver minha vida ao lado da minha esposa, uma pessoa ESPECIAL que sofreu tanto nessa vida e que continua firme. Porque haveria de abandoná-la? A missão de ser pai prá mim, na verdade é um deleite. Não há um dia na minha vida e nunca haverá, a possibilidade de eu vir reclamar sobre o ofício de SER PAI. Eles me completam, são parte de mim, são o que me move, são a razão da minha vida. Decidi agradecer mais que reclamar. Decidi rezar todas as noites e isso nos tem ajudado muito. Decidi seguir minhas convicções, mesmo que isso me custe algumas coisas. Quem faz sua vida é você, mas ela é escolha. São as escolhas que nos definem.
No fundo rico é quem se apercebe da vida, faz as escolhas da vida, esforça-se prá ser honesto, vive intensamente cada momento ao lado dos seus e no fim, tem a absoluta certeza de que não levará nada. Deixará sim, se conseguir, uma terna saudade a quem conviveu, em especial seus filhos. Tem vezes que em casa, fico olhando quieto, imerso em meus pensamentos, meus filhos brincando no quintal ou no quarto e penso que em algum momento me afastarei disso e me bate uma tristeza danada. Lembro do quanto queria minha mãe hoje comigo mas não posso, ela já partiu, não volta mais. A vida é assim! Com eles, será igual.
Todo mundo fala que ama quando perde. Fala porque é fácil falar! A busca por amar, essa é mais difícil e até em alguns casos impossível.
Gosto de rabiscar esses textos, como forma de desabafo e porque adoro escrever. Esses momentos pelos quais passamos, sejam eles felizes ou dolorosos, devem servir para que pensamos algo sobre e que possamos ver o lado positivo de algo.
Como disse no início, nesse momento está acontecer coisas horríveis na vida, mas você pode mudar um simples hábito, como visitar alguém, tomar um café, perguntar como foi seu dia. Ninguém beija mais ninguém, afaga ou manifesta carinho...pense nisso!
Não me preocupo com as reações de A ou B no futuro sobre mim ou sobre a vida que levei. Se minha mulher e meus filhos, reconhecerem em mim, o esforço que fiz prá lhes dar uma vida melhor, ser um bom pai, o cara que deu a vida pelos filhos, já terá valido a pena ter vivido. ( Adoraria, ter o poder de congelar o tempo, mas não posso)
Com relação a VIVER e MORRER, apesar do que possa parecer....não sou tão vaidoso assim.
E VOCE...É? (Diz ai) 

ÍNDIOS: O ESTRATÉGICO DESMONTE DA FUNAI

Massacre de índios isolados expõe o estrangulamento da Funai

Sete das 26 bases de proteção aos índios isolados foram fechadas nos últimos anos, entre elas a da região do provável massacre denunciado nesta semana, enquanto outras operam com precariedade

Grupo isolado, aparição às margens do rio Ituí, Terra Indígena Vale do Javari, Amazonas|Ana Paula A. de Melo

A suspeita de um massacre de índios isolados perpetrado por garimpeiros ilegais no interior na Terra Indígena Vale do Javari (AM), em agosto, ganhou as manchetes do Brasil (Carta Capital, G1, Folha de S. Paulo) e do mundo (New York Times, The Guardian), e gerou manifestações de repúdio de organizações indígenas (Coiab e Apib e Foirn), indigenistas (Cimi, CTI) e servidores da Funai. Eles exigem que o governo federal apoie as investigações e reverta políticas que violam os direitos dos povos indígenas no país.
O massacre, que provavelmente vitimou índios conhecidos como “flecheiros”, teria ocorrido na região do rio Jandiatuba no Alto Solimões (AM), onde garimpeiros vêm expandindo atividades ilegais nos últimos anos, apesar das seguidas denúncias feitas pelos índios. O garimpo já havia sido flagrado em 2009 por uma expedição da Funai em parceria com o CTI, acompanhada pelo jornal O Estado de S.Paulo. O crime teria ocorrido na zona de atuação da base da Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) da Funai do Jandiatuba, desativada nos últimos meses por falta de recursos (veja no mapa).
O Ministério Público Federal mantém as investigações sob sigilo, mas o genocídio é dado como certo por Paulo Marubo, coordenador da União Geral dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), que lançou a denúncia no final de agosto e a encaminhou à Procuradoria.
Esta não é primeira suspeita de um massacre de isolados na TI Vale do Javari neste ano. Em junho, os Kanamari denunciaram o suposto genocídio de membros do grupo que eles chamam de Warikama Djapar, na região das cabeceiras dos rios Jutaí e Jutaizinho, ao sul da terra indígena. Eles acusam um produtor rural, que vem liderando invasões à terra indígena, de ser o mandante do crime.
Mesmo sem a confirmação dos massacres, a presença de garimpeiros e outros invasores é suficiente para comprovar a ocorrência de ilícitos que ameaçam o bem-estar e a existência de povos inteiros, isolados ou de recente contato, em um território que deveria ser protegido pela União.
Bases abandonadas, territórios invadidos, índios ameaçados

A Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) contabiliza atualmente 103 registros de isolados em toda a Amazônia brasileira. São 26 referências confirmadas e 77 em estudo.
As ações de proteção e promoção dos direitos destes povos são conduzidas por 11 Frentes de Proteção aos Etnoambiental (FPEs), que mantêm suas sedes em diferentes cidades amazônicas. No interior das Tis, as ações da Funai são efetuadas pelas Bases de Proteção Etnoambiental (BPEs).
Alojamento da Funai em 2006, no Vale do Javari|Antenor Vaz
Alojamento da Funai em 2015, no Vale do Javari|Antenor Vaz

Atualmente, existem 26 bases distribuídas por 17 Tis, sendo 15 com presença de isolados e duas habitadas por povos de recente contato. A área a ser coberta chega a 60,7 milhões de hectares, quase o tamanho da França, que corresponde à metade da extensão das Terras Indígenas no Brasil. Nos últimos meses, sete destas bases foram desativadas e as demais vêm operando em condições precárias.
A escalada de invasões e agressões contra os isolados no Vale do Javari ocorre justamente no contexto em que a Funai passou a viver um estado permanente de penúria, decorrente do congelamento de seu orçamento no pior patamar de sua história recente, acirrado por sucessivos cortes suplementares.
Estrangulamento da Funai

A Funai jamais dispôs de recursos suficientes para efetuar plenamente suas funções e seu orçamento está em queda desde 2013 (veja gráfico abaixo). Mas nos últimos dois anos a situação se agravou. Em 2016, o já baixo orçamento inicial previsto para o órgão foi de R$ 542 milhões, correspondente a 0,018% do orçamento da União. Sob a justificativa de contribuir com o ajuste fiscal, este montante foi reduzido em R$ 137 milhões.
Série histórica do orçamento da Funai (2000-2017) corrigido a valores presentes pelo IPCA-IBGE. A “dotação atual” (cinza) corresponde ao valor anual inicial acrescido e/ou reduzido pelos créditos e/ou alterações aprovados; o “empenhado” (verde) ao orçamento efetivamente reservado a pagamentos planejados; e o “pago” (vermelho) ao que foi gasto. Fonte: Painel do Orçamento Federal (Siop), 2017

Dos R$ 180 milhões requeridos para investimentos e custeio de atividades na sede e nas 260 unidades espalhadas pelo país, foram liberados pelo Congresso apenas R$ 101 milhões, correspondentes a 56%.
A situação, que já era dramática, piorou este ano. Em janeiro, o governo federal liberou somente R$ 107,9 milhões ou 44% dos R$ 180 milhões para atividades e investimentos. Em março, a presidência ainda revisou suas prioridades e decretou o contingenciamento de 44% do orçamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública e órgãos vinculados.
Após protestos, o governo liberou mais R$ 20 milhões, totalizando R$ 80 milhões (ou 44% do requerido, e não do liberado). Em penúria extrema, a Funai passou a ter dificuldades até para pagar as contas de água e luz, forçando – por estrangulamento orçamentário – a desativação de sedes, o cancelamento de operações e a não efetivação de funcionários concursados.
Loteamento e enfraquecimento

Além da via orçamentária, o governo federal vem promovendo um verdadeiro ataque à qualidade técnica ao promover a injustificada substituição de servidores qualificados, experientes e comprometidos com os povos indígenas, por indicados por partidos da base aliada.
O último destes ataques em série apareceu esta semana na carta aberta dos servidores das FPEs e da CGIIRC que acusa o governo de articular a exoneração injustificada da Coordenadora-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato, Leila Sotto-Maior, e da Coordenadora de Planejamento e Apoio às Frentes de Proteção Etnoambiental, Paula Pires.
O enfraquecimento da política de proteção dos povos isolados e de recente contato, estabelecida em 1987, vem redundando em situações dramáticas para os povos isolados, decorrentes de invasões de suas terras não coibidas pelo poder público. “É muito provável que, se a política de estrangulamento da Funai não for revertida, ocorrerá no curto prazo um grave aumento das pressões, violências e massacres contra os isolados, recém-contatados e integrados, em territórios que deveriam ser protegidos pela União”, afirma Fany Ricardo, coordenadora do Programa de Monitoramento do ISA.
Maloca de índios isolados, interflúvio dos rios Itacoaí e Jandiatuba, Terra Indígena Vale do Javari, Amazonas|Peetsaa-CGIIRC-Funai

Além do Vale do Javari, estão sob séria ameaça povos tão diversos e distantes como: os Moxi hatëtëma thëpë (TI Yanomami) – pressionados por garimpeiros; os Awá (TIs Awá, Araribóia, Alto Turiaçu) no Maranhão – por madeireiros e fazendeiros; os Piripkura e Kawahiva do Rio Pardo (TIs de mesmo nome), no Mato Grosso – por madeireiros e fazendeiros; ou os isolados da TI Alto Tarauacá, na fronteira entre o Acre e o Peru – por madeireiros, fazendeiros e narcotraficantes.
É ainda possível evitar a tragédia iminente de que estes povos sejam exterminados, ou que tenham o mesmo destino trágico de povos que vivem no atual o estado de Rondônia, como Akuntsu (TI Omerê) e Juma (TI Uru-Eu-Wau-Wau) – reduzidos a uma família; ou mesmo o “índio do buraco” (TI Tanaru) – reduzido involuntariamente ao triste convívio apenas consigo mesmo.
Se o respeito à vida humana e ao direito nacional e internacional não são razões suficientes para os ocupantes do governo federal atuarem em defesa dos índios, é importante não esquecer que crises humanitárias desta gravidade comprometem ainda mais a imagem do Brasil no exterior e prejudicam a capacidade do país de atrair novos investimentos.
Por: Leandro Mahalem e Roberto Almeida
Fonte: ISA

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

CIDADANIA: ALTAMIRA GANHA ORGÃO DE PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR

 APCON é implantado e atende toda região da Transamazônica e Xingu.

A imagem pode conter: 3 pessoas, área interna
A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas sentadas e área interna
A Associação de Proteção da Cidadania e do Consumidor Paraense, APCON, foi implantado em Altamira esta semana. A Associação realizará serviços de proteção ao consumidor que se sentiu lesado por algum serviço prestado. Por enquanto haverá ainda uma inauguração do prédio que fica localizado na rua treze de maio, Bairro Premem. Na manhã desta quarta-feira (13), o presidente do órgão e advogados que serão responsáveis pela APCOM realizaram uma entrevista coletiva para explicar como funcionará o atendimento.
De início a APCON vai atender causas coletivas, como por exemplo as reclamações sobre a CELPA, empresa que fornece energia elétrica no estado. Com apoio do PROCON de Belém, o órgão vai atender toda a região da Transamazônica e Xingu. Segundo Raimundo Ampuero, a Associação vai atender casos que acontecerem até cinco anos. Com a implantação da APCON os advogados acreditam que haverá uma mudança no atendimento e serviços prestados na região.
A inauguração do prédio da Associação vai acontecer na sede do Siralta na próxima sexta-feira (15). O evento será aberto para a população que se interessar em conhecer como vai funcionar o atendimento do órgão.
Por: Athaynara Farias
Foto: Xingu 230

COMPORTAMENTO: PAUSA PARA CAFEZINHO É RECOMENDÁVEL!

Sair da cadeira a cada 30 minutos diminui danos do sedentarismo
Mais uma boa justificativa para aquela clássica pausa para o café
Ficar sentado além da conta não é dos hábitos mais saudáveis – para o formato da sua barriga, principalmente. Porém, o problema não está só no total de horas que você permanece com as costas na cadeira. A maneira como você distribui esse tempo na mesma posição também faz diferença. Nem que seja só para pegar um copo d’água, é essencial que você levante do seu lugar de vez em quando. Segundo um novo estudo da Universidade de Columbia, nos EUA, sair para dar uma volta a cada 30 minutos pode ser definitivo para sua saúde – e lhe fazer ter uma vida mais longa.

Para chegar nessa relação, os pesquisadores acompanharam 7,985 adultos. Todos eles tinham 45 anos ou mais e usaram um acelerômetro, que monitorou suas atividades por uma semana. O aparelho, que ficava na cintura das cobaias, conseguia medir sua velocidade e vibração, elementos que indicavam quando eles estavam em movimento ou não. A ideia era cronometrar o tempo sedentário total e a duração média dos períodos em que estavam realmente parados.

Em média, 77% dos participantes permaneciam com uma postura sedentária em 12.3 horas de seu dia – considerando que eles estavam acordados por pelo menos 16h. Ao fim de quatro anos de acompanhamento (o estudo terminou em 2013), 340 deles haviam morrido – de qualquer causa. Quem era sedentário por 13 horas ou mais – e passava entre 60 e 90 minutos sentado sem intervalos – teve duas vezes mais chances de estar na lista de falecidos. O grupo que não passava de meia hora sem esticar as canelas, por outro lado, apresentou a menor taxa de mortalidade. O estudo considerou também outros fatores, como idade, sexo, educação, uso de cigarro e pressão arterial.

“Buscávamos entender qual aspecto é mais prejudicial para os hábitos de alguém, se é quantas horas por dia a pessoa passa sentada ou o total de horas na mesma posição”, explicou Keith Diaz, ao The Guardian. “Infelizmente descobrimos que é algo como a mistura dos dois… na verdade, ambos parecem fazer mal”. A pesquisa foi publicada no jornal Circulation.


SAÚDE: VOCÊ SABE A ORIGEM DA CARNE QUE VOCÊ COME?

Origem desconhecida

 
30% da carne oriunda da Amazônia vem de frigoríficos sem acordos com o Ministério Público. 
Foto: Marcio Isensee e Sá

Enquanto você passa os olhos por esta reportagem, cerca de 60 mil bois criados na Amazônia aguardam enfileirados a hora do abate. O ritual se repete todos os dias, distribuído por pelo menos 128 frigoríficos espalhados pela região. Antes do momento derradeiro, metade destes frigoríficos faz uma varredura diária nos bancos de dados públicos. O objetivo é garantir que os animais não venham de fazendas com irregularidades ambientais e sociais. A outra metade dos abatedouros, porém, não faz a mais vaga ideia da origem da boiada.
Em um levantamento inédito, o instituto de pesquisas Imazon mostra que apenas 48% dos frigoríficos presentes na Amazônia aderiram ao acordo que ficou conhecido como TAC da Carne. Firmado junto ao Ministério Público Federal, o Termo de Ajustamento de Conduta tem implementação complexa, mas princípios simples: todo frigorífico que assinar o documento se compromete a monitorar as fazendas de onde compram gado. Se houver qualquer indício de desmatamento ilegal, invasão de terra indígena ou uso de trabalho escravo, por exemplo, o fornecedor deve ser imediatamente excluído.
A iniciativa do TAC da Carne nasceu em 2009 pelas mãos do procurador Daniel Azeredo, que comandava a área ambiental do MPF no Pará. Numa minuciosa investigação, ele provou que os maiores frigoríficos do estado estavam adquirindo gado de fazendas envolvidas com crimes ambientais e sociais. Com as evidências debaixo do braço, bateu à porta dessas empresas e deu o ultimato: ou vocês encaram penas e multas milionárias na Justiça ou assinam este documento. Acabaram escolhendo a segunda opção.
“Desde o início o objetivo era alcançar toda a indústria que atua na Amazônia. Então iniciamos em 2009 mesmo reuniões com procuradores de todos os estados da região e formamos o Grupo de Trabalho Amazônia Legal”, conta Daniel Azeredo. “Cada procurador começou a fazer as investigações em seus estados e a se reunir com os frigoríficos para buscar a assinatura dos acordos”.
Oito anos depois, 63 frigoríficos estão sob as regras do TAC da Carne – por envolver os maiores, eles representam 70% da capacidade de abate na região. Os outros 30% estão nas mãos de 65 frigoríficos que permanecem alheios à iniciativa. Isso significa que, todos os dias, cerca de 18 mil cabeças de gado são abatidas na Amazônia sem qualquer monitoramento ambiental. E sem restrição de mercado. “O maior comprador da carne brasileira é o próprio Brasil”, diz o pesquisador do Imazon, Paulo Barreto, apontando o principal destino deste produto. “A Amazônia fica com apenas 12% da carne produzida na região. A maioria vai para os outros estados”.


“Nenhum boi morre no pasto”

Para garantir que a carne produzida na Amazônia esteja livre de irregularidades, 100% dos frigoríficos da região precisariam se comprometer com o monitoramento de seus fornecedores. Mas isso está longe de se tornar realidade. E o motivo é simples: os frigoríficos que não aderiram aos acordos nunca deixaram de vender seus produtos por conta disso. Pelo contrário, em alguns casos até levam vantagem no mercado.
“O cumprimento das medidas estipuladas pelo TAC gera custos para as empresas. Quem não se submete a isso está livre desses custos, então passa a ter vantagens comerciais”, diz Francisco Victer, fundador e ex-presidente da União Nacional da Indústria da Carne (Uniec), que representa os frigoríficos. “Tem um frigorífico em Xinguara (PA), por exemplo, que assinou o TAC e é de primeiro mundo. Mas não consegue vender um quilo de carne no município, porque lá tem empresas que não seguem os acordos e conseguem vender ao varejo por um preço muito mais barato”.
A desvantagem comercial das empresas que assinaram o TAC também acontece no momento da compra do gado para abate. Ao abrir mão de fornecedores com irregularidades, muitas vezes o frigorífico precisa buscar a matéria-prima em locais mais distantes, aumentando seus custos. O fazendeiro rejeitado, no entanto, facilmente encontra outros compradores. “A pessoa atravessa a rua e vende para o frigorífico que não assumiu compromissos”, diz Victer. “A JBS no Pará, por exemplo, tem uma lista de mais de 2500 rejeições de compra. Mas nenhum boi morre no pasto. Alguém comprou aquele gado”.
O exemplo dado por Victer é corroborado pelo Imazon. No estudo “Os frigoríficos vão ajudar a zerar o desmatamento?”, o instituto mapeou as áreas potenciais de compra de 128 frigoríficos ativos na Amazônia Legal. Chegou à conclusão que as empresas comprometidas com o TAC operam no mesmo território comercial que as não signatárias, abrindo caminho para o chamado vazamento do acordo. “As zonas de compra estão sobrepostas, o que gera uma competição injusta e desleal. Tem que incluir todo mundo no TAC, senão teremos sempre o vazamento”, diz Paulo Barreto.
Durante a elaboração do estudo, os pesquisadores do Imazon foram a campo e ouviram dos próprios fazendeiros exemplos desta prática. “Pecuaristas boicotados por empresas que assinaram o TAC no Pará informaram que conseguiram vender seu gado para frigoríficos sem TAC no Tocantins”, diz. Isso pode explicar o aumento de 144% no número de animais oriundos do Pará abatidos no estado vizinho após a assinatura do acordo em 2009. O Tocantins é um dos estados com menor número de frigoríficos signatários.
percentual-frigorificos-tac

Mercado aberto

Se as vendas dos fazendeiros irregulares seguem sem barreiras, o mesmo pode ser dito sobre as transações comerciais feitas pelas empresas do ramo sem TAC. E não se trata só do mercado interno: somente em 2016, nove frigoríficos localizados nos estados do Pará, Tocantins, Rondônia e Mato Grosso exportaram mais de 48 mil toneladas de carne bovina para outros países, de acordo com informações levantadas na plataforma Trase, que traz dados comerciais de commodities brasileiras.
Coincidência ou não, a lista de importadores que compraram carne dessas empresas é formada principalmente por países asiáticos, africanos e sul-americanos, como Hong Kong, Egito, Angola, Peru e Chile. Estes mercados costumam ser menos rígidos em suas exigências comerciais. No entanto, também foi possível identificar vendas em menor quantidade para países europeus, além dos Estados Unidos. “Na atual lógica de mercado, o preço continua sendo um diferencial, tornando a carne vinda de frigoríficos sem TAC mais atrativa. Os problemas relacionados com sua produção não são considerados por esses países importadores”, diz Maria Rosa Darrigo, do Greenpeace.
O motivo disto é que a exportação de produtos agropecuários não está condicionada ao cumprimento de compromissos socioambientais. Os protocolos hoje – tanto do Brasil como dos países importadores – costumam ser apenas sanitários. “Não conheço país que deixe de comprar carne brasileira porque veio de área desmatada”, diz Victer. E quando se trata do mercado interno, o cenário não é muito diferente. “O setor do varejo ainda não está engajado no processo. Os supermercados assinaram termos de cooperação, fizeram marketing, mas continuam comprando carne de frigoríficos que não têm compromissos socioambientais”.
Exportação dos frigoríficos sem TAC na Amazônia (2016)

Frigoríficos Sem TAC da Carne
Estado
Volume Exportado
(toneladas) 2016
Países importadores
VPR Brasil Importações e Exportações Ltda
MT
1,328.90
Hong Kong, Rússia, Egito, Angola, Vietnã, Paraguai, Ghana
Mataboi Alimentos Ltda
MT
57,113.20
Hong Kong, Egito, China, Rússia, Iran, Chile, Reino Unido, Itália, Holanda, Arábia Saudita
Total S/A
RO
146.30
Hong Kong
Frigon – Frigorífico Irmãos Gonçalves
RO
31,030.20
Hong Kong
Masterboi Ltda
PA
2,932.10
Hong Kong, Rússia, Tailândia, Ucrânia
Frigorífico Fortefrigo Ltda
PA
114.10
Hong Kong
Frigorífico Paraíso Ltda
TO
376.40
Hong Kong
Coop. dos Prod de Carne e Derivados de Gurupi
TO
10,053.00
Hong Kong, Rússia, Egito, Arábia Saudita, Angola, Peru
Indústria e Comércio de Carne e Derivados Boi Brasil
TO
3,965.50
Hong Kong, Egito, Angola, Congo, Malásia, Coreia do Sul

Silêncio dos inocentes

Para confirmar esta informação, ((o)) eco entrou em contato com as três maiores redes de supermercados do Brasil – Carrefour, GPA (antigo Grupo Pão de Açúcar) e Walmart –, pedindo a lista dos frigoríficos da Amazônia que lhes fornecem carne e o volume médio mensal comprado da região. Apenas o Walmart abriu o jogo. Luiz Herrisson, diretor de sustentabilidade do grupo, não divulga a quantidade, mas afirma que 40% da carne vendida nas 485 lojas da rede vêm da Amazônia. De lá, o produto vai parar nas prateleiras do sudeste, nordeste e centro-oeste.
“Hoje a gente tem um número bem restrito de fornecedores que atuam na Amazônia. São apenas quatro: JBS, Marfrig, Boiforte e Masterboi”, diz Herrisson, para confirmar em seguida: “Nem todos assinaram o TAC”. Ele se refere às duas últimas empresas, Masterboi e Boiforte, que têm unidades no estado de Tocantins. De acordo com o mapeamento feito pelo Imazon, os dois frigoríficos compram gado de uma região que soma mais de 420 mil hectares de áreas embargadas e desmatamento recente.
Para driblar este problema, o Walmart afirma ter criado um sistema próprio de monitoramento de fazendas fornecedoras. Além disso, o grupo diz que desde 2016 só fecha negócios com frigoríficos que sigam as mesmas exigências feitas pelo TAC. “Todo frigorífico que vende carne para o Walmart precisa ter sistema de monitoramento dos fornecedores e fazer auditoria anual. Isso está em contrato”, diz Herrisson, garantindo que o Boiforte e o Masterboi já têm seus sistemas implementados. No entanto, ((o)) eco entrou em contato com os dois frigoríficos, mas as empresas não atenderam às repetidas solicitações de entrevista.
Líder em faturamento no setor do varejo, o Grupo GPA – controlador das redes Extra, Assaí e Pão de Açúcar – também preferiu o silêncio. Afirmou que, “por políticas internas”, sua lista de fornecedores não é pública. Uma fonte ouvida por ((o)) eco, porém, afirma que aproximadamente dez frigoríficos na Amazônia Legal fornecem carne para as mais de duas mil lojas que o grupo tem espalhado pelo Brasil.
Segundo essa fonte, apenas os três maiores frigoríficos do país – JBS, Marfrig e Minerva – estão entre os fornecedores do GPA que assinaram o TAC. Todos os outros estão fora do acordo. Haveria frigoríficos que não têm nada ou muito pouca informação sobre as fazendas fornecedoras. Em alguns casos, têm apenas uma caderneta com o nome e o telefone do pecuarista de quem costumam comprar gado. Nenhum sistema ou planilha organizada com dados sobre o produtor.
Desde outubro de 2016, o GPA iniciou uma parceria com a ONG Aliança da Terra para tentar mudar este cenário. De lá para cá, a empresa tem exigido dos seus fornecedores que repassem informações sobre as fazendas de onde compram gado. A partir daí, o próprio GPA faz a checagem para saber se o pecuarista está nas listas de desmatamento ilegal, trabalho escravo ou se está dentro de áreas protegidas. “Acaba sendo um TAC informal, porque são as mesmas condições”, explica Aline Locks, da Aliança da Terra, que tem ajudado o grupo varejista neste processo.
Segundo Aline, o GPA já excluiu fornecedores que não concordaram em abrir seus dados de compra. “Assim como o Greenpeace e o Ministério Público têm poder de pressão sobre o varejo, os supermercados têm poder de pressão comercial junto aos frigoríficos”, diz ela. O problema é que esta influência ainda é pouco exercida pelo setor, observa Maria Rosa, do Greenpeace. “Com certeza o varejo pode ajudar a aumentar a adesão dos frigoríficos ao TAC. Mas para que haja uma mudança significativa, é necessário que mais supermercados e outros tipos de varejo intensifiquem a pressão sobre essas empresas. Caso contrário, vai continuar existindo o vazamento na compra de gado”.
Segundo colocado no ranking das varejistas com maior faturamento no país, o Grupo Carrefour também não informou quem são seus fornecedores de carne na Amazônia. No final de 2015, o Greenpeace fez um levantamento com os maiores supermercados do país, para saber como andavam suas políticas de desmatamento zero para a carne bovina que vendem em suas lojas. De acordo com Maria Rosa Darrigo, membro da ONG, apesar dos recentes avanços anunciados pelo Walmart e GPA, ainda hoje nenhum supermercado no país “pode garantir que a carne que vende está totalmente livre de desmatamento, trabalho escravo ou invasão de terras indígenas”.
“É um trabalho que não tem fim”

Dos nove estados da Amazônia Legal, nenhum até hoje conseguiu fazer com que 100% dos frigoríficos locais aderissem ao TAC da Carne. Como se trata de um acordo, o engajamento é voluntário. E o que tem colocado a indústria contra a parede são as investigações, que, segundo o procurador Daniel Azeredo, não pararam um minuto depois que a porteira se abriu em 2009. “É um trabalho contínuo, pesado, que não tem fim”, diz ele, citando a importância da cooperação de outros órgãos como o Ibama para acelerar este processo.
No último mês de março, oito anos depois que o TAC da Carne ganhou vida, o Ibama deflagrou sua primeira operação de grande porte em cima dos frigoríficos da Amazônia, fechando plantas e distribuindo milhões em multas. Os principais alvos da Carne Fria, porém, foram as empresas que já haviam assinado o acordo, o que gerou uma enorme revolta do setor.
“Chegaram aqui, chamaram imprensa e embargaram justamente as empresas que mais estão ralando para reduzir o desmatamento”, critica Francisco Victer. “Enquanto isso, os frigoríficos que não estão envolvidos no processo continuaram funcionando livremente. Por que não foram atrás deles?”.
Coordenador geral de fiscalização do Ibama, Renê Luiz de Oliveira não se abala com as críticas, e diz que aquele foi apenas um episódio de muitos que ainda estão por vir. “A operação não acabou. Ainda teremos a Carne Fria 2”, diz ele. E garante: “Estamos com um olhar especial para os frigoríficos que não assinaram o TAC”.
Por Bernardo Camara
Fonte: ((o)) eco